O complexo de 1 gigawatt (GW), que pode ser expandido para até 1,8 GW, receberá um investimento de cerca de R$ 47,32 bilhões (Yuichiro Chino/Getty Images)
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Publicado em 16 de julho de 2026 às 14h47.
A Meta anunciou o início da construção de seu primeiro data center no Canadá, localizado em Sturgeon County, na província de Alberta. O complexo de 1 gigawatt (GW), que pode ser expandido para até 1,8 GW, receberá um investimento de cerca de R$ 47,32 bilhões.
O empreendimento será o 33º centro de dados da companhia no mundo e terá como foco principal o processamento de cargas de trabalho de Inteligência Artificial (IA), além de sustentar as operações globais de plataformas como Instagram, Facebook, WhatsApp e o desenvolvimento de tecnologias vestíveis. Além do complexo, a empresa destinará R$ 218,4 milhões para melhorias na infraestrutura local, como estradas e sistemas de água.
A escolha da província de Alberta foi motivada por vantagens estratégicas, como o clima frio da região — que reduz os custos de resfriamento dos supercomputadores — e a abundância de gás natural a preços competitivos.
Impacto energético
Para mitigar o consumo equivalente à 800 mil residências, a Meta informou que assumirá todos os custos de energia do complexo, viabilizados por contratos a gás com a Capital Power e, futuramente, com o projeto Greenlight da Pembina Pipeline, mas compensados 100% com fontes limpas. Além disso, a empresa adotará um sistema de resfriamento a seco para eliminar o uso operacional de água, visando tornar-se "positiva em água" até 2030.
Esse cenário evidencia um complexo desafio de infraestrutura global, analisa Yuri Fernandes Lima, advogado, especialista em direito ambiental e sócio do Bruno Boris Advogados.
"A expansão de data centers voltados à inteligência artificial representa um desafio significativo para os sistemas elétricos em diversos países. Empreendimentos dessa natureza operam continuamente e demandam enormes quantidades de energia. Se essa expansão ocorrer em ritmo mais acelerado do que a capacidade de planejamento da infraestrutura pública, podem surgir efeitos como aumento dos custos de expansão da rede (...) o que pode refletir nas tarifas pagas pelos consumidores."
Críticas
Apesar das contrapartidas da Meta, ativistas ambientais e o Greenpeace Canadá criticaram o anúncio devido à alta dependência de gás natural na rede elétrica de Alberta, que é quase cinco vezes maior do que a média nacional canadense. As organizações defendem a aplicação de uma moratória na expansão de megacentros de dados de IA até que sejam criadas legislações específicas sobre meio ambiente e direitos humanos.
No Brasil, o cenário é a busca em estruturar o setor, de olho em sua matriz limpa para atrair data centers — com pedidos que já somam 38 GW —. Embora o marco regulatório do
Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) esteja travado no Senado, a Câmara dos Deputados avança com outras propostas: como o PL 490/26, focado em incentivar fontes renováveis no Norte e Nordeste, que está aguardando análise do relator na Comissão de Minas e Energia, e o PL 1680/25, que visa priorizar a conexão à rede de transmissão sem transferir os custos de infraestrutura às tarifas dos consumidores locais, e está aguardando designação do relator na Comissão de Finanças e Tributação.