O Brasil atingiu 1,3 gigawatt (GW) de energia para projetos de data centers com contratos firmados.
Trata-se de energia capaz de abastecer uma cidade com três milhões de habitantes - número maior que capitais como Belo Horizonte, Brasília ou Salvador.
O consumo dos centros de processamento de dados pode triplicar até 2031, quando o investimento do setor atingir US$ 92 bilhões, segundo a Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia).
Mas para a indústria de equipamentos e o setor de energia, a concretização das projeções depende do Congresso aprovar o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter).
O tema foi discutido no fórum “Redes do Amanhã", realizado na semana passada em Brasília pela Exame e a PSR.
“A decisão que o Brasil precisa tomar é uma decisão de Estado. Nós queremos ser protagonistas [em tecnologia] ou não?”, questionou Pedro Fonseca e Silva, gerente de expansão Odata, empresa especializada em equipamentos para data centers.
O Redata já foi aprovado na Câmara dos Deputados, mas aguarda desde fevereiro o aval do Senado. O programa foi apresentado pelo governo federal por meio do Projeto de Lei 278/2026, oferecendo incentivo fiscal para importação de suprimentos não produzidos no Brasil.
Mas a proposta entrou na lista dos elementos de tensão entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em razão da indicação de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal).
Silva, que também é vice-líder de infraestrutura digital da Brasscom, defendeu o Redata como necessário para abrir o mercado brasileiro para os centros de processamento de dados cada vez mais demandados pelo desenvolvimento da inteligência artificial e armazenamento em nuvem.
“Não faz sentido cobrar 50% de imposto de importação e perder investimentos. Nós queremos cobrar 2% ou 4% de imposto sobre investimentos que vão chegar a centenas de bilhões de dólares ou nós queremos cobrar 50% sobre nada?”, provocou.
O executivo citou dados para defender o benefício fiscal. “Aqui é 26% mais caro que os EUA para instalar um data center e 35% a mais que no Chile. Para o investidor acaba ficando fácil tomar uma decisão [de não vir].”.
Demanda aquecida
Para Fábio Nugnezi, vice-presidente de marketing e vendas da Hitachi Energy no Brasil, considerou o Redata uma questão de posicionamento do Brasil no cenário econômico global.
O país ocupa a 11° lugar no ranking global, com 204 data centers, segundo a Brasscom, com 60% da demanda de processamento de dados sendo realizada fora.
“Não podemos deixar de ter os data center aqui. É uma questão de soberania nacional”, disse.
O aumento de projetos em nível global tem sobrecarregado a cadeia produtiva de suprimentos.
“Data centers surge no meio do nada. Não dá para comprar equipamentos em 18 meses. O planejamento do setor precisa ser muito bom equiparado aos demais”, informou.
Nugnezi disse que o Brasil precisa acelerar seu poder de atração de projetos para não ficar para trás. “Empresas como a nossa investem milhões em P&D (pesquisa e desenvolvimento). Existem tecnologias que podem ser aplicadas em outros países e replicadas aqui”, sugeriu.
Thiago Ivanoski Teixeira, diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), indicou que o país conta com 90% de fontes renováveis de energia e que pode elevar o nível de conexão dos data centers de grande porte nas redes de transmissão energéticas.
O engate na transmissão é novidade por aqui, onde a maioria dos centros por não serem muito grandes consomem energia se conectando diretamente à rede de distribuição.
“Temos como suprir a demanda por energia, temos competitividade do ponto de vista prático. É óbvio que tem uma série de elementos e sinais econômicos que precisam melhorar no Brasil. Mas do ponto de vista que a gente pensa o setor de data center no país e o sistema elétrico brasileiro, o match é total”, disse.
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