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Falas de Rubio sobre Lula são 'inaceitáveis' e 'ofensivas', diz Mauro Vieira

O chefe da diplomacia brasileira disse ainda que o tarifaço aconteceu pois o Brasil não se curvou as demandas americanas, classificadas como "desmedidas e irrazoáveis"

Viera: ministro afirmou que americanos queriam a capitulação da economia brasileira  (Lula Marques/Agência Brasil)

Viera: ministro afirmou que americanos queriam a capitulação da economia brasileira (Lula Marques/Agência Brasil)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 16 de julho de 2026 às 14h45.

Última atualização em 16 de julho de 2026 às 14h52.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou na tarde desta quinta-feira, 16, as falas do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como 'inaceitáveis' e 'ofensivas'.

"As declarações do Secretário de Estado Marco Rubio veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil são inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros. Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o Chefe de Estado de um país amigo", disse Vieira durante declaração a imprensa no Itamaraty.

Em publicação no X, antigo Twitter, Rubio afirmou que a decisão foi tomada porque o governo brasileiro não teria conduzido as negociações comerciais com os Estados Unidos de "boa-fé".

Além disso, que a medida foi culpa do "ego de Lula, que não conduziu as negociações com a gestão americana.

O chefe da diplomacia brasileira disse ainda que o tarifaço aconteceu pois o Brasil não se curvou as demandas americanas, classificadas como "desmedidas e irrazoáveis". Vieira disse que os americanos queriam a "capitulação" do Brasil.

"Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos foi o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações. Cito, como exemplo, demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros.", afirmou.

Ao defender o Pix, o ministro disse que as alegações americanas sobre a ferramente são "descabidas".

"O Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e está disponível a todas as instituições financeiras que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo Pix", disse.

Ele também afastou qualquer acusação relacionada a desmatamento, uma vez, que segundo ele, desde 2022, o país reduziu "significativamente o desmatamento na Amazônia e no cerrado".

Vieira reforçou que o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, ministerial e técnico com autoridades norte-americanas. Ele afirmou que somente com Jamieson Greer e o Marco Rubio foram realizados 11 contatos, incluindo as reuniões entre Presidentes.

"O Brasil está, portanto, negociando com os Estados Unidos desde antes do tarifaço original, anunciado em 2 de abril de 2025", disse.

O ministro relembrou ainda que os Estados Unidos acumularam US$ 424 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos e disse que o tarifaço tem "motivação política".

"Todas as alegações dos americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade", afirmou.

Nova tarifa sobre produtos brasileiros

Na noite de quarta-feira, 15, os Estados Unidos anunciaram oficialmente uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A medida foi divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), chefiado por Jamieson Greer, por determinação do presidente Donald Trump.

Segundo o governo americano, a sobretaxa entra em vigor em 22 de julho. Mercadorias embarcadas antes dessa data poderão ficar isentas da cobrança adicional, desde que cheguem aos Estados Unidos até 29 de julho.

O USTR informou que a decisão encerra uma investigação comercial iniciada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. De acordo com o órgão, a apuração concluiu que medidas adotadas pelo Brasil restringem os negócios de empresas e trabalhadores americanos em seis áreas, incluindo comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

A tarifa de 25% será somada às alíquotas de importação já existentes para cada produto.

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