Lula: petista criticou sistema "prende e solta" de criminosos (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 12 de abril de 2026 às 12h34.
Com a segurança pública no centro da disputa eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou o discurso punitivo e acelerou medidas práticas para enfrentar o crime organizado.
A movimentação ocorre em meio ao crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto.
Levantamentos recentes de diferentes institutos indicam um quadro de empate técnico entre os dois nomes, mas com vantagem numérica para o senador em alguns cenários de segundo turno.
Os dados também mostram alta rejeição de ambos, o que amplia a disputa por eleitores menos ideológicos. Como mostrou a EXAME, a disputa eleitoral deve se concentrar na disputa por 10% do eleitorado que decidirá o pleito.
Ao mesmo tempo, pesquisas de opinião apontam a violência como uma das principais preocupações do brasileiro.
Nesse contexto, Lula passou a adotar uma retórica mais dura.
Em entrevistas recentes, o petista criticou o sistema de “prende e solta” de criminosos e defendeu maior rigor contra crimes violentos, principalmente contra as mulheres.
Na última sexta-feira, o petista sancionou um pacote de leis voltadas ao combate à violência doméstica. Entre as medidas sancionadas, estão mudanças nas regras de monitoramento de agressores, aumento de penda, a criação de um novo tipo penal e a instituição de uma data nacional de conscientização.
A mudança inclui ainda foco em crimes de maior repercussão, como roubo de celulares e atuação de facções criminosas. A estratégia busca reduzir a percepção de leniência histórica da esquerda em relação à criminalidade. A maioria das pesquisas apontam o combate ao crime como pior área de resposta da gestão petista.
No campo institucional, o governo tenta estruturar uma agenda mais robusta. Entre as iniciativas está a proposta de criação do Ministério da Segurança Pública, que ganha força após o avanço da chamada PEC da Segurança no Congresso, que deve ser votada até junho.
A ideia é centralizar políticas hoje dispersas e ampliar a coordenação federativa. O projeto foi alterado após críticas de governadores e parlamentares, mas deve manter a essência defendida pelo governo.
Outra frente já consolidada é o PL antifacção, recentemente sancionado, que endurece regras contra organizações criminosas. A legislação amplia instrumentos de investigação, endurece penas e fortalece mecanismos de combate a grupos estruturados, alinhando o país a práticas internacionais de repressão ao crime organizado.
Em paralelo ao discurso interno, o governo também avançou na cooperação internacional. O Ministério da Fazenda anunciou um acordo entre Brasil e Estados Unidos para combater o crime organizado transnacional, envolvendo a Receita Federal e a agência americana U.S. Customs and Border Protection, responsável pela alfândega e proteção de fronteiras.
A iniciativa prevê compartilhamento de inteligência e operações conjuntas para interceptar armas e drogas, com foco na redução da entrada de material ilícito no Brasil.
O projeto, chamado Mutual Interdiction Team (MIT), ou “equipe de interdição mútua”, marca um novo estágio da cooperação bilateral.
Na prática, o acordo inclui ferramentas como o monitoramento remoto de cargas — conhecido como remote targeting — e sistemas de rastreamento internacional de armamentos.
Dados recentes indicam a dimensão do problema: mais de 1.100 armas ou peças foram apreendidas em cargas vindas dos EUA em 12 meses, além de toneladas de drogas interceptadas.
O avanço da parceria ocorre em meio a pressões externas para classificar facções brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas.
A hipótese gera preocupação no governo brasileiro por possíveis impactos na soberania e na atuação de agentes estrangeiros no país.
O assunto é explorado pela oposição contra a gestão petista.