FMI: segundo o fundo, o país deve encerrar 2026 com dívida bruta equivalente a 96,5% do PIB (Jim Watson/AFP)
Repórter
Publicado em 15 de abril de 2026 às 12h18.
Última atualização em 15 de abril de 2026 às 12h22.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou as projeções para a dívida pública brasileira e passou a prever que o indicador alcançará 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 15, no relatório Monitor Fiscal.
Segundo o Fundo, o país deve encerrar 2026 com dívida bruta equivalente a 96,5% do PIB. A trajetória segue de alta nos anos seguintes, chegando a 106,5% do PIB em 2031, último ano coberto pelas estimativas.
As novas previsões mostram deterioração em relação às estimativas anteriores. Em outubro, o FMI projetava uma dívida de 95% do PIB já neste ano e não previa que o indicador atingisse 100% nos anos seguintes. Para 2027, a expectativa era de 97% do PIB, com estabilização próxima de 98% a partir de 2028.
A revisão reflete uma perspectiva mais negativa para o resultado primário e para o resultado nominal das contas públicas, que inclui gastos com juros da dívida. Pelos cálculos do Fundo, o Brasil encerrou o ano passado com dívida de 93,3% do PIB.
No relatório, o FMI destaca que países emergentes avançaram nas últimas décadas na construção de políticas econômicas mais resilientes, capazes de enfrentar choques como a pandemia e a recente alta do petróleo associada à guerra no Irã.
Entre os fatores citados estão a independência dos bancos centrais, regimes de metas de inflação, estruturas fiscais mais robustas e o desenvolvimento de mercados de dívida em moeda local.
Apesar disso, a instituição avalia que será necessário ampliar o compromisso com metas fiscais. No caso do Brasil, o Fundo afirma que será preciso fortalecer o arcabouço fiscal com mecanismos de médio prazo que deem mais previsibilidade às contas públicas. Segundo o relatório, essas âncoras precisam ser reforçadas para conter pressões pró-cíclicas.
A dívida bruta é um dos principais indicadores acompanhados por investidores para avaliar a capacidade de pagamento de um país. No entanto, a metodologia usada pelo FMI difere da adotada pelo governo brasileiro.
O Fundo inclui no cálculo os títulos do Tesouro que estão na carteira do Banco Central, enquanto essa parcela não entra na conta oficial do país.
Pela metodologia brasileira, a dívida bruta fechou 2025 em 78,7% do PIB e subiu para 79,2% em fevereiro, segundo dados do Banco Central. Esse é o maior nível desde novembro de 2021 dentro desse critério.
*Com informações do Globo