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FMI eleva projeção global para 2026, mas alerta para riscos da IA e das tarifas

Projeção global melhora, mas América Latina e Europa ficam para trás

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 09h02.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou nesta segunda-feira, 19, a projeção de crescimento da economia global em 2026 para 3,3%, impulsionada principalmente pelo avanço dos investimentos em tecnologia e inteligência artificial (IA).

Ao mesmo tempo, o FMI alertou que tensões comerciais persistentes e incertezas sobre o real impacto da IA podem gerar novas instabilidades.

A nova estimativa representa uma alta de 0,2 ponto percentual em relação à previsão divulgada em outubro e mantém o ritmo de crescimento observado em 2025, segundo a atualização do relatório Perspectivas da Economia Mundial.

Apesar do cenário mais favorável, o FMI destacou que o desempenho recente se apoia em poucos setores, o que aumenta a vulnerabilidade da economia global.

De acordo com o economista-chefe do Fundo, Pierre-Olivier Gourinchas, embora o mundo esteja deixando para trás os choques tarifários de 2025, eles não foram neutros.

“Os impactos foram compensados pelos ventos favoráveis do boom da inteligência artificial e do investimento tecnológico”, afirmou. Segundo o FMI, esse efeito foi mais evidente na América do Norte e em partes da Ásia.

América Latina cresce menos

Para a América Latina, o FMI revisou ligeiramente para baixo a projeção de crescimento em 2026, para 2,2%, uma redução de 0,1 ponto percentual. O Brasil deve crescer 1,6%, corte de 0,3 ponto, enquanto o México manteve a estimativa de 1,5%.

O Fundo avaliou que, em 2025, o setor privado mostrou capacidade de adaptação aos choques comerciais, apoiado por estímulos fiscais e monetários. Ainda assim, alertou que o retorno do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Casa Branca reacendeu a volatilidade, após a imposição de tarifas generalizadas que afetaram aliados e rivais.

Posteriormente, Washington fechou acordos com alguns parceiros e alcançou uma trégua temporária com a China, o que ajudou a conter impactos mais severos. Nesse contexto, o FMI projeta que a inflação global desacelere de 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026.

Incerteza elevada e riscos jurídicos

Apesar da melhora pontual, o FMI alertou que a incerteza em torno da política comercial segue bem acima dos níveis de janeiro de 2025, com risco de novos episódios de instabilidade, sobretudo em regiões como a América Latina.

O Fundo também destacou que a Suprema Corte dos Estados Unidos deve decidir, ainda no início de 2026, sobre a legalidade do uso de poderes econômicos de emergência por Trump para impor tarifas amplas. Uma eventual derrubada dessas medidas, segundo Gourinchas, poderia reintroduzir forte incerteza no cenário global, já que o presidente poderia recorrer a outros instrumentos legais.

Embora a IA seja um dos principais motores do crescimento atual, o FMI apontou riscos associados ao excesso de otimismo. Existe a possibilidade de uma correção de mercado caso as expectativas sobre ganhos de produtividade e rentabilidade não se confirmem. O entusiasmo em torno da tecnologia foi um dos principais fatores por trás dos recordes recentes em Wall Street.

Divergência entre economias

O FMI estima que o aumento do investimento e dos gastos em tecnologia adicionou cerca de 0,3 ponto percentual ao crescimento médio anual do PIB dos Estados Unidos nos três primeiros trimestres de 2025, compensando efeitos negativos como a paralisação do governo federal no fim do ano.

Para 2026, o Fundo projeta crescimento de 2,4% nos EUA, alta de 0,3 ponto em relação à estimativa anterior. Em contraste, a zona do euro deve crescer 1,3%, com desempenho mais fraco também no Japão. China e Índia seguem com crescimento relativamente sólido entre os emergentes.

Ao final, Gourinchas ressaltou a importância da independência dos bancos centrais. Sem comentar diretamente investigações nos EUA envolvendo o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que, dada a centralidade do dólar no sistema financeiro internacional, é “ainda mais importante” que o Fed possa cumprir seu mandato com autonomia.

*Com informações da AFP

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