Ciência

Vídeo mostra golfinho carregando filhote morto em possível gesto de luto

Registro feito na Austrália mostra uma mãe transportando o corpo do filhote enquanto especialistas apontam fortes evidências de um vínculo emocional

Golfinhos: especialistas associam o transporte de filhotes mortos a um comportamento de luto entre cetáceos (Geographe Marine Research/Reprodução)

Golfinhos: especialistas associam o transporte de filhotes mortos a um comportamento de luto entre cetáceos (Geographe Marine Research/Reprodução)

Publicado em 5 de agosto de 2026 às 20h53.

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Uma fêmea de golfinho foi registrada carregando o corpo do próprio filhote morto em meio ao seu grupo, em uma cena que chamou a atenção de pesquisadores e reacendeu as discussões sobre o luto em animais. O vídeo foi divulgado pela organização australiana Geographe Marine Research e mostra a mãe, conhecida como Fraggle, transportando o filhote de aproximadamente duas semanas de vida nas águas ao sul de Perth, na Austrália.

Segundo a equipe de conservação, o filhote provavelmente morreu de pneumonia. Para os especialistas, o comportamento da mãe é compatível com manifestações de luto já documentadas em golfinhos, baleias e outros mamíferos sociais.

Especialistas veem sinais de luto no comportamento

Em entrevista ao The New York Times, a neurocientista Lori Marino, fundadora do Whale Sanctuary Project (Projeto Santuário das Baleias), afirmou que o registro representa uma mãe reagindo à perda do filhote.

Segundo a especialista, além da mãe permanecer em contato com o corpo, outro aspecto chama atenção: a proximidade dos demais golfinhos do grupo durante todo o episódio.

Para a pesquisadora, o comportamento sugere que não apenas a mãe responde à morte, mas que outros indivíduos também parecem reconhecer que algo incomum está acontecendo.

Golfinhos podem carregar filhotes mortos por dias (até semanas)

O transporte de filhotes mortos não é considerado um comportamento raro entre cetáceos — grupo que reúne golfinhos, baleias e botos.

Pesquisadores já documentaram mães carregando seus filhotes por vários dias e, em alguns casos, por semanas. Um dos episódios mais conhecidos ocorreu em 2018, quando a orca Tahlequah percorreu mais de mil quilômetros carregando o filhote morto durante mais de duas semanas.

Especialistas explicam que manter esse contato exige um grande esforço físico. Como vivem em ambiente aquático, esses animais precisam subir regularmente à superfície para caçar e respirar e, ao mesmo tempo, continuar sustentando o corpo do filhote.

Para a filósofa Susana Monsó, autora do livro "Playing Possum: How Animals Understand Death", essa persistência indica uma forte motivação para permanecer próxima ao filhote mesmo após a morte.

Comportamento também foi observado em outros animais

Os cientistas destacam que esse tipo de resposta não ocorre apenas entre cetáceos. Estudos também registraram mães de chimpanzés, gorilas e babuínos carregando seus filhotes mortos durante dias ou semanas.

Segundo pesquisadores, esses episódios ajudam a compreender como diferentes espécies podem reagir à perda de indivíduos com os quais mantêm fortes vínculos sociais.

A doutoranda Abigail McClain, da Universidade George Washington, afirma ao NYT que há casos em que as mães parecem reconhecer que o filhote morreu, mas continuam carregando o corpo por um período prolongado, comportamento que tem ampliado as pesquisas sobre o luto em animais não humanos.

Laços sociais ajudam a explicar a reação

Golfinhos vivem em grupos altamente organizados e estabelecem relações sociais duradouras entre mães, filhotes e outros integrantes do grupo.

Segundo Lauren Brandkamp, coordenadora da Whale and Dolphin Conservation North America, registros como o de Fraggle não deveriam ser vistos como exceções, mas como parte das respostas naturais de espécies que desenvolvem fortes laços sociais.

Para a especialista, quando um indivíduo morre, esses animais também demonstram comportamentos compatíveis com a perda, reforçando as evidências de que vínculos sociais profundos não são exclusivos dos seres humanos.

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