Bólidos: meteoros de brilho intenso continuam visíveis mesmo após o pico das chuvas de meteoros de julho. (Reprodução/Eduardo Santiago/Projeto Exoss)
Repórter
Publicado em 31 de julho de 2026 às 12h53.
Mesmo após o pico das chuvas de meteoros do fim de julho, um fenômeno continua chamando a atenção de quem observa o céu: os bólidos, meteoros conhecidos por serem mais lentos, maiores e muito mais brilhantes do que os rastros comuns.
Os bólidos são meteoros de brilho excepcional, provocados por fragmentos de cometas ou asteroides maiores do que os grãos de poeira que originam a maioria dos meteoros visíveis a olho nu.
Ao entrar na atmosfera terrestre em alta velocidade, esses fragmentos se desintegram e produzem um rastro de luz mais intenso e duradouro, muitas vezes comparado a uma "bola de fogo" cruzando o céu.
Enquanto a maioria dos meteoros permanece visível por apenas uma fração de segundo, os bólidos se destacam pela duração do rastro, pelo tamanho do fragmento que entra na atmosfera e pela intensidade luminosa, que pode rivalizar com o brilho de planetas como Vênus.
Essa combinação faz com que sejam observados mesmo sob condições desfavoráveis, como céu com poluição luminosa ou forte brilho da Lua.
O fenômeno está associado à chuva de meteoros Alfa Capricornídeas, ativa entre 3 de julho e 15 de agosto. Embora o pico tenha ocorrido entre os dias 30 e 31 de julho, a chuva permanece em atividade e ainda pode produzir bólidos nas próximas noites.
Originada por detritos deixados pelo cometa 169P/NEAT, a Alfa Capricornídeas produz poucos meteoros por hora — cerca de cinco em condições ideais —, mas é reconhecida justamente pela elevada frequência de bólidos.
O pico da Alfa Capricornídeas coincidiu com o da Delta Aquáridas do Sul, chuva capaz de produzir até 25 meteoros por hora em seu auge. A combinação dos dois fenômenos aumentou as chances de observação durante a madrugada de quinta para sexta-feira.
A Lua Cheia, ocorrida em 29 de julho, continua interferindo na observação do céu nesta sexta-feira, 31. O brilho do satélite natural reduz a visibilidade dos meteoros mais fracos.
Os bólidos, porém, tendem a permanecer visíveis mesmo nessas condições, graças à sua luminosidade muito superior à dos demais rastros.
Especialistas recomendam observar o céu em locais afastados da iluminação urbana e procurar um ponto onde a Lua fique encoberta por um prédio, árvore ou relevo, reduzindo a interferência da luz.
Embora o auge das chuvas de meteoros já tenha passado, tanto a Alfa Capricornídeas quanto a Delta Aquáridas do Sul seguem ativas, permitindo que observadores ainda tenham a chance de registrar alguns dos meteoros mais brilhantes do ano.