Ciência

Atrasos da Starship ameaçam plano da Nasa para voltar à Lua

Relatório aponta desafios técnicos da SpaceX, incluindo reabastecimento de combustível no espaço

Starship: desenvolvimento da nave de Elon Musk, SpaceX, acumula atrasos e pode afetar futuras missões do programa Artemis (Brandon Bell / GETTY IMAGES NORTH AMERICA /AFP Photo)

Starship: desenvolvimento da nave de Elon Musk, SpaceX, acumula atrasos e pode afetar futuras missões do programa Artemis (Brandon Bell / GETTY IMAGES NORTH AMERICA /AFP Photo)

Publicado em 12 de março de 2026 às 07h50.

Os atrasos no desenvolvimento da nave Starship, da SpaceX, já acumulam pelo menos dois anos e podem afetar o cronograma da Nasa para levar astronautas novamente à superfície da Lua. A avaliação consta em um relatório divulgado nesta semana pelo órgão fiscalizador da agência espacial americana.

Segundo o documento, a empresa de Elon Musk ainda precisa superar desafios técnicos importantes antes que o veículo esteja pronto para atuar como módulo de pouso do programa Artemis, iniciativa que pretende estabelecer missões tripuladas regulares ao satélite natural da Terra.

O plano dos Estados Unidos é retornar à Lua antes da China, que também prepara missões com o objetivo de realizar um pouso lunar até 2030.

Reabastecimento no espaço

Entre os obstáculos apontados no relatório está o complexo sistema de reabastecimento da Starship no espaço, considerado uma das etapas mais difíceis do projeto.

Para que uma Starship possa descer com astronautas na Lua, a SpaceX precisará primeiro lançar diversas outras naves para a órbita da Terra. Essas unidades funcionarão como tanques de combustível e irão transferir propelente para a nave que seguirá em direção ao satélite.

Uma das Starships atuará como depósito orbital de combustível e precisará ser abastecida por mais de 10 lançamentos adicionais para acumular propelente suficiente para a missão lunar.

Esse combustível é composto por metano e oxigênio líquidos, armazenados em temperaturas extremamente baixas, inferiores a –150 °C, o que torna o processo de transferência tecnicamente delicado.

Desafios da transferência de combustível

Segundo a Nasa, realizar acoplamentos sucessivos entre várias Starships e transferir grandes volumes de combustível criogênico no espaço representa um dos desafios mais arriscados do programa.

Além da complexidade técnica, a operação deverá ocorrer na órbita baixa da Terra, região que hoje concentra um grande número de satélites.

Funcionários da agência espacial classificam a demonstração da transferência de propelente criogênico como um dos desafios tecnológicos mais significativos enfrentados pela SpaceX.

O relatório também alerta que existe o risco de que algumas dessas tecnologias ainda não estejam maduras o suficiente antes da tentativa de pouso lunar prevista atualmente para 2028.

Testes da Starship

Desde 2023, a SpaceX realizou 11 voos de teste da Starship. Alguns deles terminaram em explosões, mas os testes fazem parte do processo de desenvolvimento do veículo.

A Starship é composta por dois estágios: a nave espacial no topo e o gigantesco propulsor Super Heavy. Juntos, formam um sistema com 123 metros de altura e cerca de 9 metros de diâmetro, projetado para transportar cargas e tripulações ao espaço profundo.

Programa Artemis

A Starship foi escolhida pela Nasa como o primeiro módulo de pouso lunar do programa Artemis, que pretende estabelecer uma presença humana sustentável na Lua.

Atualmente, o plano prevê que a missão Artemis III, programada para 2027, seja utilizada para testar os módulos lunares desenvolvidos pela SpaceX e pela Blue Origin, empresa fundada por Jeff Bezos.

Já a missão Artemis IV, prevista para 2028, deve marcar uma nova tentativa de pouso tripulado na superfície lunar utilizando um desses sistemas.

A Blue Origin também participa do programa com o desenvolvimento do módulo lunar Blue Moon, financiado por um contrato de cerca de US$ 3,6 bilhões com a Nasa.

Acompanhe tudo sobre:SpaceXNasaEspaçoLua

Mais de Ciência

Vermes em salmão enlatado de 40 anos revelam recuperação dos oceanos

Esses idosos de 80 anos têm memória melhor que adultos de 50, revela estudo

Nova força da natureza? Estudo revela como humanos moldam a Terra

Câncer no coração é raro? Resposta pode estar no batimento cardíaco