Xu Bo é um bilionário chinês conhecido por manter uma postura discreta. Segundo relatos, ele estaria ligado ao nascimento de mais de 100 crianças por meio de barriga de aluguel, com o objetivo de formar herdeiros para seus negócios e futuras gerações. (Redes Sociais/Reprodução)
Repórter
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 14h10.
RESUMO | Uma hondurenha sem documentação migratória, residente na Califórnia, descobriu apenas após dar à luz, em outubro de 2024, que o bebê gerado por barriga de aluguel seria entregue ao bilionário chinês Xu Bo. A investigação da CBS News aponta falta de fiscalização federal e proteção limitada às gestantes no mercado americano.
Uma mulher hondurenha sem documentação migratória, residente na Califórnia, descobriu somente após o nascimento da criança que o bebê gerado por meio de barriga de aluguel seria entregue ao bilionário chinês Xu Bo, identificado em documentos e reportagens como pai pretendido de mais de 100 crianças nascidas pelo procedimento nos Estados Unidos. Uma ex-companheira afirmou que o empresário poderia ter até 300 filhos, mas Xu contestou esses números e declarou ter a guarda de 12 crianças nascidas por barriga de aluguel no país.
Andrea, nome usado pela CBS News para proteger sua identidade, conheceu a agência Creating Your Dreams Surrogacy após encontrar uma publicação no Instagram que oferecia uma compensação financeira para gestantes de aluguel. Antes de firmar o acordo, ela solicitou uma videoconferência com o casal interessado em ter um filho. Segundo o relato, a conversa influenciou sua decisão de aceitar a gestação para ajudar no sustento das duas filhas.
Em outubro de 2024, após o nascimento do bebê, Andrea afirma que um casal de idosos que ela nunca havia encontrado antes apareceu no hospital para buscar a criança."Quando o bebê nasceu e eles chegaram ao hospital, era um casal completamente diferente", relatou à CBS News, neste domingo.
Diante das preocupações relacionadas à sua situação migratória e aos pagamentos ainda pendentes, Andrea entregou o bebê e afirma ter recebido aproximadamente US$ 40 mil. Depois disso, segundo ela, não teve mais contato com a criança ou com o casal.
A situação de Andrea integra uma investigação de um ano realizada pela CBS News, que reuniu entrevistas com mães de aluguel e analisou centenas de contratos e documentos judiciais. A reportagem apontou que gestantes podem ser contratadas sem saber que os mesmos futuros pais também firmaram acordos com outras mulheres ao mesmo tempo.
Segundo a investigação, não existe uma agência federal nos Estados Unidos responsável por acompanhar ou fiscalizar os nascimentos resultantes de contratos de barriga de aluguel.Os Estados Unidos são o único país desenvolvido onde a barriga de aluguel comercial é permitida. A Califórnia se tornou um dos principais polos desse mercado, incluindo contratos envolvendo estrangeiros. O advogado Dean Masserman afirmou à CBS News que o estado possui uma legislação favorável ao setor e localização próxima à China e a Taiwan.
A surrogate, believing she was carrying a child for a single father, is actually having a baby for a Chinese billionaire who allegedly has more than 100 kids. CBS News broke the news to her.
Leaked documents obtained by CBS News named the intended father as Xu Bo, a Chinese… pic.twitter.com/SenTHF7afa
— CBS News (@CBSNews) September 13, 2026
A advogada Melissa Brisman declarou à emissora que não há leis que estabeleçam limite para a quantidade de contratos de barriga de aluguel que um mesmo casal ou futuro pai pode firmar. Ela também afirmou que, na maior parte dos estados americanopoijçkls, não existe obrigação de realizar uma verificação de antecedentes dos pais que utilizam o procedimento.
O caso de Andrea faz parte de uma série de relatos reunidos pela CBS News sobre mulheres que conheceram os futuros pais somente no momento do parto ou que nunca tiveram contato com eles. Em outro caso citado pela reportagem, 17 gestantes disseram não saber que ajudavam um casal de Arcadia, na Califórnia, a formar uma família que chegou a ter pelo menos 25 crianças por meio da barriga de aluguel.
No caso envolvendo Xu Bo, uma gestante identificada pela CBS como Judy afirmou que questionou diversas vezes a agência sobre a identidade do futuro pai e sobre o número de mulheres contratadas. Segundo ela, recebeu a informação de que seriam quase 20 gestantes envolvidas.
"São muitas crianças ao mesmo tempo", disse Judy.
Documentos analisados pela CBS News identificaram Xu como pai pretendido. O empresário não respondeu aos pedidos de posicionamento da emissora. Após uma reportagem publicada pelo Wall Street Journal, em dezembro de 2025, Xu contestou os números divulgados sobre seus filhos.
Recentemente, o bilionário publicou nas redes sociais uma imagem de mais de cem crianças pequenas sentadas em fileiras e afirmou, em chinês, defender a ideia de que ter mais filhos traz mais bênçãos.
A investigação da CBS News indicou que as leis americanas sobre barriga de aluguel foram desenvolvidas principalmente para estabelecer os direitos dos pais contratantes, enquanto mecanismos de fiscalização e proteção das gestantes permanecem limitados.Em 2025, Andrea voltou a atuar como barriga de aluguel e deu à luz gêmeos por cesariana. Dessa vez, ela afirmou ter mantido contato com os futuros pais durante toda a gravidez e recebido US$ 68 mil pelo procedimento.
Ela havia aceitado conceder uma entrevista diante das câmeras para falar sobre problemas que identificava no setor, mas desistiu minutos antes da gravação.
"Não posso. Estou com muito medo", escreveu à CBS News.
Xu Bo é um bilionário chinês identificado em documentos e reportagens como pai pretendido de mais de 100 crianças nascidas por barriga de aluguel nos Estados Unidos. Após uma reportagem do Wall Street Journal, Xu contestou os números divulgados e declarou ter a guarda de 12 crianças nascidas pelo procedimento no país.
Andrea afirma que descobriu somente após o nascimento, em outubro de 2024, que o bebê seria entregue a Xu Bo. Segundo o relato à CBS News, um casal de idosos que ela nunca havia encontrado apareceu no hospital para buscar a criança.
Andrea afirma ter recebido aproximadamente US$ 40 mil pela primeira gestação, embora ainda houvesse pagamentos pendentes quando entregou o bebê. Em 2025, ela voltou a atuar como barriga de aluguel, deu à luz gêmeos por cesariana e recebeu US$ 68 mil.
Andrea aceitou a gestação para ajudar no sustento das duas filhas. Segundo a CBS News, ela conheceu a Creating Your Dreams Surrogacy por uma publicação no Instagram e solicitou uma videoconferência com o casal interessado antes de firmar o acordo.
Não existe uma agência federal responsável por acompanhar ou fiscalizar os nascimentos resultantes de contratos de barriga de aluguel, segundo a investigação da CBS News. A advogada Melissa Brisman também afirmou que não há limite para a quantidade de contratos firmados por um mesmo futuro pai ou casal.
A Califórnia possui uma legislação favorável à barriga de aluguel e recebe contratos envolvendo estrangeiros. Segundo o advogado Dean Masserman, a localização próxima à China e a Taiwan também contribuiu para transformar o estado em um dos principais polos desse mercado.