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Onde descartar celular, pilha e eletrônico velho: a logística reversa que quase ninguém usa

Brasil gera 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano e recicla apenas 3% do total, apesar de contar com milhares de pontos de coleta gratuitos em supermercados, lojas, operadoras e ecopontos

Descarte de eletrônicos: celulares, pilhas, cabos e eletrodomésticos exigem logística reversa e não podem ir para o lixo comum (DarkMediaMotion/Thinkstock)

Descarte de eletrônicos: celulares, pilhas, cabos e eletrodomésticos exigem logística reversa e não podem ir para o lixo comum (DarkMediaMotion/Thinkstock)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 1 de agosto de 2026 às 10h00.

O descarte do celular, das pilhas e de eletrônicos velhos não funciona como o do lixo doméstico. Pela legislação brasileira, esses produtos têm logística reversa obrigatória — com pontos de coleta dedicados e responsabilidade dividida entre fabricantes, distribuidores, varejistas e consumidores.

O problema é que quase ninguém usa o sistema como ele foi desenhado: o Brasil gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, segundo o relatório Global E-Waste Monitor 2024 da ONU, e recicla apenas 3% desse volume, tudo porque muito desse material acaba esquecido em gavetas ou misturado ao lixo comum.

Por que eletrônicos não podem ir no lixo comum?

Lixo eletrônico é classificado como resíduo perigoso. Pilhas, baterias de celular e placas de circuito contêm chumbo, cádmio, mercúrio e níquel — metais pesados que, ao chegar a aterros ou lixões, contaminam solo e lençol freático.

Baterias de íons de lítio, presentes em celulares e notebooks, por exemplo, podem inflamar ou explodir ao serem amassadas por caminhões compactadores ou esteiras de cooperativas de reciclagem convencional.

Esses materiais, se reciclados corretamente, podem voltar para a indústria como matéria-prima — é o caso das placas de circuito de celulares e computadores contêm ouro, prata, cobre e cobalto. A condição é que eles sejam desmontados e separados por empresas especializadas.

O que é a logística reversa de eletrônicos?

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), regulamentada pelo Decreto 10.240/2020, obriga fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes a estruturar e financiar sistemas de coleta e destinação de eletroeletrônicos pós-consumo. O consumidor, por sua vez, tem a obrigação de não descartar esses itens no lixo comum.

O ciclo funciona em quatro etapas:

  1. O consumidor leva o aparelho a um Ponto de Entrega Voluntária (PEV) — instalado em supermercados, lojas de eletrônicos, farmácias ou ecopontos municipais;
  2. Entidades gestoras como Green Eletron e ABREE (Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos) recolhem os materiais acumulados;
  3. Os aparelhos seguem para centros de manufatura reversa, onde são desmontados: baterias são isoladas, e plásticos, vidros, metais e componentes tóxicos são separados;
  4. Os materiais recuperados voltam para a cadeia produtiva como matéria-prima, fechando o ciclo da chamada mineração urbana.

Onde descartar celular, pilha e eletrônico velho?

O Brasil conta com uma rede ampla de pontos de coleta, ainda que concentrada nas regiões metropolitanas. Os canais mais acessíveis são:

  • Localizadores por CEP: tanto a Green Eletron (greeneletron.org.br) quanto a ABREE (abree.org.br) oferecem mapas digitais em que o consumidor digita o CEP e encontra o PEV mais próximo. A Green Eletron opera mais de 11 mil pontos de coleta em cerca de 1,4 mil municípios, e a ABREE mantém mais de sete mil pontos de recebimento em pelo menos 1,5 mil municípios;
  • Grandes varejistas: redes como Magazine Luiza, Casas Bahia, Leroy Merlin e Pão de Açúcar mantêm coletores para pequenos eletrônicos e pilhas, em geral na entrada das lojas;
  • Operadoras de telefonia: o programa Vivo Recicle e iniciativas da Claro recebem celulares, carregadores, cabos e modems em lojas físicas, abertos a qualquer pessoa, independente de ser cliente;
  • Programas de fabricantes: a Samsung (EcoTroca) e a Apple (Trade In) recolhem aparelhos antigos em lojas oficiais, enquanto a Dell (Mail Back) agenda a retirada de computadores e periféricos de qualquer marca. Em alguns casos, o descarte é convertido em desconto na compra de um produto novo;
  • Ecopontos municipais: prefeituras de capitais e cidades médias mantêm ecopontos que recebem eletroeletrônicos, pilhas, cabos e eletrodomésticos. A lista varia por cidade — o canal mais confiável é o site da prefeitura local.

Como descartar eletrodomésticos grandes?

Geladeiras, máquinas de lavar, ar-condicionado e TVs grandes exigem um processo diferente, porque o peso e o volume inviabilizam o transporte pelo consumidor até um PEV convencional.

Em 2026, plataformas digitais de logística reversa oferecem coleta gratuita em domicílio para itens acima de 30 kg — basta cadastrar o produto, informar o CEP e agendar a retirada. Concessionárias de energia também operam programas de troca de geladeiras antigas por modelos mais eficientes, com retirada do equipamento velho incluída.

O que fazer antes de descartar um celular ou computador?

O descarte do aparelho precisa vir acompanhado da proteção dos dados pessoais. Antes de entregar o dispositivo:

  1. Faça backup dos arquivos em nuvem ou em outro dispositivo;
  2. Remova o chip (SIM card) e o cartão de memória;
  3. Encerre a sessão de contas bancárias e redes sociais;
  4. Restaure o aparelho para os padrões de fábrica.

Esse procedimento impede que informações pessoais fiquem acessíveis durante o processo de manufatura reversa ou, em caso de recondicionamento, na mão de terceiros.

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