Altar romano: Fragmento dedicado a Júpiter foi encontrado após o recuo das águas do rio Danúbio (Museu Intercisa)
Redatora
Publicado em 16 de agosto de 2026 às 20h22.
O nível excepcionalmente baixo do rio Danúbio permitiu que arqueólogos encontrassem um fragmento de um altar romano dedicado a Júpiter, principal divindade da mitologia romana e deus do céu e do trovão. A descoberta foi feita próximo à cidade de Dunaújváros, na Hungria, e pode ajudar a reconstruir a história de Intercisa, um importante assentamento romano localizado na antiga fronteira do Império.
O achado ocorreu durante uma pesquisa arqueológica realizada pelo Museu Intercisa, com apoio do arqueólogo mergulhador Attila J. Tóth, segundo a revista Galileu. Aproveitando o recuo das águas, a equipe conseguiu explorar áreas do leito do rio que normalmente permanecem submersas e inacessíveis.
Os pesquisadores inicialmente buscavam vestígios do antigo Mosteiro Pentélico, um sítio medieval cuja localização exata ainda é investigada. No entanto, durante a expedição encontraram um fragmento de um altar de calcário dedicado a Júpiter.
Poucos dias depois, uma nova descoberta ampliou a importância da pesquisa: uma lápide romana, também esculpida em calcário, foi localizada na mesma região, de acordo com a Galileu.
Segundo os arqueólogos, os dois artefatos poderão fornecer novas informações sobre Intercisa, assentamento romano que ocupava a área da atual Dunaújváros há cerca de dois mil anos.
Intercisa surgiu ao redor de uma fortificação militar construída às margens do Danúbio, em uma região que fazia parte da província romana da Panônia, localizada na Europa Central.
A cidade integrava o Limes, sistema de fortificações que protegia as fronteiras do Império Romano contra invasões. Sua posição estratégica transformou o local em um importante centro militar, comercial e religioso.
Para os pesquisadores, o altar dedicado a Júpiter reforça a presença das práticas religiosas romanas na região e amplia o conjunto de monumentos conhecidos do antigo assentamento.
Durante as escavações, a equipe encontrou ainda um objeto que acredita ser uma munição não detonada da Segunda Guerra Mundial. O artefato foi deixado no local e especialistas militares foram acionados para realizar sua identificação e remoção com segurança, segundo a Galileu.
Diante da descoberta, o Museu Intercisa reforçou o alerta para que moradores e visitantes não retirem objetos encontrados no leito exposto do rio. Além do risco representado por munições antigas, a remoção de peças arqueológicas pode comprometer depósitos históricos que ainda aguardam estudo.
Períodos de estiagem e níveis excepcionalmente baixos do Danúbio têm revelado diversos vestígios arqueológicos que permaneceram submersos por séculos.
Embora essas condições permitam o acesso a áreas normalmente inacessíveis, elas também aumentam a vulnerabilidade do patrimônio histórico.
No caso de Intercisa, o recuo das águas trouxe à superfície um monumento religioso que permaneceu escondido por quase dois milênios.
Agora, arqueólogos esperam que o altar dedicado a Júpiter, a lápide e outros vestígios encontrados na região ajudem a ampliar o conhecimento sobre a ocupação romana às margens do Danúbio e sobre a vida em uma das principais fronteiras do Império Romano.