Estátua: escultura de mármore de cerca de 2,5 mil anos foi encontrada sob uma antiga rua romana na cidade de Sardis, na Turquia (Ministério da Cultura e Turismo da Turquia/Reprodução)
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Publicado em 6 de agosto de 2026 às 14h45.
Uma estátua de mármore esculpida há cerca de 2,5 mil anos foi descoberta durante escavações na antiga cidade de Sardis, no oeste da Turquia. Com 2,21 metros de altura, a escultura permaneceu escondida sob o pavimento de uma rua construída no período romano, o que ajudou a preservar boa parte de seus detalhes
A descoberta foi anunciada pelo Ministério da Cultura e Turismo da Turquia e oferece novas informações sobre a produção artística e as tradições culturais do antigo Reino da Lídia, uma das principais potências da Ásia Menor durante a Idade do Ferro.
Os arqueólogos encontraram a escultura durante escavações em Sardis, antiga capital da Lídia e atual Patrimônio Mundial da UNESCO.
Datada entre 470 e 450 a.C., a obra foi reaproveitada pelos romanos como material de pavimentação em uma rua com colunatas na entrada da cidade. Colocada com a face voltada para baixo, permaneceu protegida do desgaste por séculos.
Embora esteja partida em duas partes e tenha perdido os pés e alguns fragmentos menores, a escultura conserva detalhes do rosto, das mãos e das vestimentas em excelente estado.
Foto: Ministério da Cultura e Turismo da Turquia (Ministério da Cultura e Turismo da Turquia)
A estátua representa um jovem vestido com um himation, manto tradicional da Grécia Antiga, sobre um quíton, túnica leve usada no período. Sob essas roupas aparece ainda uma peça decorada com listras horizontais, característica considerada incomum pelos especialistas.
Segundo os arqueólogos, o conjunto não possui paralelos conhecidos entre esculturas semelhantes encontradas na Anatólia ou na Grécia continental, reforçando a identidade artística da antiga Lídia.
A obra também combina diferentes estilos. A postura rígida e os cabelos longos lembram esculturas do século VI a.C., enquanto o tratamento mais naturalista do rosto e das mãos indica uma produção já no início do período clássico.
Na mão direita, a figura segura um objeto identificado provisoriamente como um marmelo, fruta tradicionalmente usada como oferenda em algumas culturas da Antiguidade.
Os pesquisadores acreditam que a fruta possa representar uma oferenda votiva destinada a alguma divindade, o que pode fornecer novas pistas sobre os rituais religiosos praticados em Sardis durante o domínio do Império Persa Aquemênida, quando a cidade passou a ser a capital da satrapia ocidental persa.
Capital do Reino da Lídia antes da conquista persa no século VI a.C., Sardis foi um dos principais centros políticos, econômicos e culturais da região.
O sítio arqueológico reúne monumentos importantes de diferentes períodos históricos, como o Templo de Ártemis e uma das maiores sinagogas do mundo antigo.
Após passar por trabalhos de conservação e restauração, a estátua será incorporada ao acervo do Museu de Manisa, na Turquia, onde ficará disponível para estudos e exposição ao público.