Ciência

Fórmula maia revela identidade de matemático após quase 1.300 anos

Inscrição encontrada em Xultun, na Guatemala, decifrou cálculos astronômicos e revelou o autor de um sofisticado texto hieroglífico

Maias: câmara de escribas preservou cálculos matemáticos e astronômicos registrados há cerca de 1.300 anos, revela estudo (Freepik)

Maias: câmara de escribas preservou cálculos matemáticos e astronômicos registrados há cerca de 1.300 anos, revela estudo (Freepik)

Publicado em 15 de julho de 2026 às 08h52.

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Uma fórmula matemática inscrita na parede de uma antiga construção maia permitiu que pesquisadores identificassem, pela primeira vez, o nome de um matemático-astrônomo dessa civilização. A descoberta foi feita no sítio arqueológico de Xultun, na Guatemala, e ajuda a compreender como os maias desenvolviam cálculos relacionados aos calendários e aos movimentos dos astros há cerca de quase 1.300 anos.

O estudo foi publicado na revista científica Antiquity e destacado pela Nature nesta terça-feira, 14. Os pesquisadores analisaram inscrições descobertas em uma câmara escavada originalmente em 2011 e concluíram que elas registram um complexo conjunto de cálculos matemáticos, além de revelar a identidade de seu autor.

Fórmula maia combina diferentes calendários e ciclos astronômicos

As paredes da câmara preservam pinturas e textos hieroglíficos produzidos em meados do século VIII. Segundo os pesquisadores, o espaço provavelmente era utilizado por escribas responsáveis pela produção de códices e registros astronômicos.

A equipe concentrou a análise em um conjunto de 11 hieróglifos conhecido como Texto 19. A inscrição apresenta uma fórmula que relaciona diferentes sistemas de calendário utilizados pelos maias.

Os cálculos mostram como um ciclo de 2.920 dias podia ser dividido entre diversas unidades de tempo empregadas por essa civilização. Esse período correspondia simultaneamente a cinco ciclos de Vênus, oito anos solares e outros calendários usados pelos maias, incluindo o Tzolkin, o Uinal, o Tun e os ciclos associados aos anos de Marte.

Segundo os autores, a organização desses cálculos demonstra um elevado domínio da matemática e da astronomia.

Fórmula matemática no Texto 19 aparece como glifos - Foto: Projeto Arqueológico Regional de San Bartolo-Xultun (Projeto Arqueológico Regional de San Bartolo-Xultun)

Descoberta revela o nome de um matemático maia

Durante a análise do Texto 19, os pesquisadores identificaram uma expressão equivalente a "assim diz", seguida do nome Sak Tahn Waax, que pode ser traduzido como "Raposa de Peito Branco".

Para a equipe, essa sequência indica que o autor reivindicava a autoria dos cálculos registrados na parede, tornando-se o primeiro matemático-astrônomo maia identificado diretamente em uma inscrição desse tipo.

Os pesquisadores afirmam que a descoberta mostra que esses especialistas recebiam reconhecimento semelhante ao de artistas e outros intelectuais da sociedade maia.

Cálculos impressionam especialistas

Segundo Heather Hurst, arqueóloga do Skidmore College e autora principal do estudo, a fórmula representa uma demonstração de criatividade matemática rara nos registros conhecidos da civilização maia.

Ela afirma que os cálculos parecem ter sido elaborados não apenas por necessidade prática, mas também como uma demonstração de habilidade intelectual.

Eric Heller, arqueólogo da Universidade do Sul da Califórnia que não participou da pesquisa, destacou que a descoberta reforça a ideia de que os maias eram intelectualmente curiosos e desenvolviam matemática, astronomia e ensino em um ambiente de intensa produção de conhecimento.

Os autores afirmam que a descoberta reforça o elevado nível de sofisticação alcançado pela matemática maia, que já dominava conceitos como notação posicional, operações aritméticas complexas, relações algébricas, números negativos e fatores multiplicativos.

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