DNA: cientistas estudam formas de aprimorar os mecanismos naturais de reparo para aumentar longevidade (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
Redatora
Publicado em 9 de agosto de 2026 às 10h01.
O reparo do DNA pode se tornar uma das estratégias mais promissoras para retardar o envelhecimento e prolongar a vida saudável. Pesquisas recentes indicam que fortalecer os mecanismos naturais que corrigem danos no material genético pode reduzir processos associados ao envelhecimento e diminuir o risco de doenças como Alzheimer, câncer e problemas cardiovasculares.
O interesse por essa abordagem cresceu após estudos com animais de vida longa, como baleias-da-Groenlândia e ratos-toupeira-pelados, além de análises genéticas de centenários. Os resultados, reunidos em uma reportagem da revista Nature, sugerem que organismos longevos possuem sistemas de reparo do DNA mais eficientes, inspirando o desenvolvimento de futuras terapias.
O DNA sofre agressões continuamente. Radiação ultravioleta, toxinas ambientais e até processos naturais do metabolismo provocam milhares de lesões nas células todos os dias.
Segundo os pesquisadores da Universidade de Copenhague, uma única célula humana pode acumular até 100 mil danos diários, mas a maior parte deles é corrigida por mecanismos naturais de reparo.
Quando essas lesões permanecem ou são corrigidas de forma inadequada, podem surgir mutações que favorecem o desenvolvimento de câncer. Além disso, o acúmulo de danos no DNA está relacionado a inflamação crônica, alterações metabólicas, disfunção no dobramento de proteínas, senescência celular e morte de células — processos considerados importantes no envelhecimento.
Esses efeitos também estão associados ao surgimento de doenças cardiovasculares, osteoporose e Alzheimer.
Uma das principais estratégias dos cientistas é investigar espécies que vivem muito mais tempo do que o esperado para seu tamanho e apresentam baixa incidência de câncer. Entre elas estão a baleia-da-Groenlândia, capaz de viver mais de 200 anos, o rato-toupeira-pelado, elefantes, morcegos, tubarões-da-Groenlândia e lagostas.
Em um estudo publicado em 2025, pesquisadores observaram que células da baleia-da-Groenlândia possuem um sistema altamente preciso para reparar quebras na dupla hélice do DNA. Em vez de eliminar células potencialmente cancerígenas, como ocorre em muitos organismos, essas baleias parecem impedir que as mutações se acumulem.
Os pesquisadores também identificaram o papel da proteína CIRBP, que aumentou a capacidade de reparo do DNA quando testada em células humanas.
Os estudos também analisam pessoas que vivem mais de 100 anos. Pesquisas sugerem que alguns centenários apresentam variantes mais eficientes do gene SIRT6, conhecido por atuar na estabilidade do genoma e nos processos de envelhecimento.
Outra descoberta importante envolve o chamado complexo DREAM, identificado em 2023. Segundo os pesquisadores, esse complexo atua como um regulador capaz de controlar simultaneamente diversos genes envolvidos no reparo do DNA.
Em experimentos com vermes, camundongos e células humanas, a inibição desse complexo aumentou a atividade de diferentes mecanismos de reparo, reduzindo os danos ao DNA.
Para especialistas, esse mecanismo representa uma das primeiras evidências de que seria possível estimular vários sistemas de reparo ao mesmo tempo.
O avanço das pesquisas também impulsionou estudos com substâncias capazes de estimular mecanismos ligados ao reparo do DNA.
Entre elas estão os fucoidanos, compostos naturais encontrados em algas marrons que ativam a proteína SIRT6. Em camundongos, esses compostos melhoraram o reparo do DNA, reduziram a senescência celular e aumentaram a expectativa de vida.
Esses resultados levaram ao início de ensaios clínicos em humanos. Um estudo realizado em Singapura acompanha homens entre 50 e 80 anos para avaliar se os fucoidanos influenciam marcadores celulares do envelhecimento.
Outra pesquisa investiga suplementos capazes de elevar os níveis de NAD (dinucleotídeo de nicotinamida e adenina), molécula essencial para a produção de energia e para processos de reparo do DNA.