Ciência

Esta galáxia registrada pelo Hubble parece normal, mas há algo estranho em seu centro; veja

Cientistas acreditam que uma pequena fusão ocorrida no passado criou um novo disco de gás e estrelas no centro da galáxia

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 20 de setembro de 2026 às 16h59.

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O Telescópio Espacial Hubble registrou uma imagem da galáxia espiral NGC 4698, situada a aproximadamente 55 milhões de anos-luz da Terra. A observação foi divulgada pela Nasa na última sexta-feira, 18.

Apesar da aparência aparentemente regular, a galáxia apresenta uma característica incomum: sua estrutura está desalinhada em relação ao padrão esperado para esse tipo de objeto astronômico.

A NGC 4698 possui um disco formado por estrelas, com regiões marcadas pela presença de poeira escura e pequenos astros azuis brilhantes. Diferentemente de outras galáxias espirais, seus braços não se estendem em direção ao núcleo. Em vez disso, eles formam uma estrutura semelhante a um anel ao redor da parte externa do disco.

No centro da galáxia está um bojo galáctico, região alongada composta por estrelas mais antigas, menores e com temperaturas mais baixas. Dentro dessa área existe um buraco negro supermassivo, cuja massa equivale a milhões de vezes a do Sol. O objeto segue em atividade ao capturar gás ao seu redor.

O processo que deixou a galáxia desalinhada

A NGC 4698 abriga um buraco negro supermassivo ativo e apresenta sinais de uma antiga interação com outra galáxia. (Nasa/Divulgação)

Segundo os astrônomos, a origem dessa falta de alinhamento está relacionada a eventos externos. A hipótese é que a NGC 4698 tenha capturado gás de outra fonte durante uma pequena fusão galáctica ocorrida no passado, processo indicado pela presença de uma "cauda" de hidrogénio.

Esse material teria dado origem a um novo disco de gás e estrelas no centro da galáxia, mas com uma orientação diferente da estrutura original, criando o desalinhamento observado pelos cientistas.

A NGC 4698 faz parte da constelação de Virgem, uma região que concentra mais de um milhão de galáxias próximas ligadas pela gravidade. As observações fazem parte de um programa de pesquisa do Aglomerado de Virgem, criado para analisar como a passagem de galáxias por grandes aglomerados influencia sua evolução e sua capacidade de formar novas estrelas.

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