Ciência

Por que os astronautas da Artemis II não pousaram na Lua

Missão fez apenas sobrevoo sobre o satélite; Nasa segue estratégia gradual de testes antes de levar astronautas novamente à superfície lunar

Planeta Terra: Nasa divulgou nesta terça-feira, 7, novas imagens do espaço (Nasa/Divulgação)

Planeta Terra: Nasa divulgou nesta terça-feira, 7, novas imagens do espaço (Nasa/Divulgação)

Publicado em 7 de abril de 2026 às 13h52.

Os quatro astronautas da missão Artemis II, da Nasa, passaram pela Lua na segunda-feira, 6, observaram regiões nunca vistas por olhos humanos e bateram o recorde de distância da Terra. Ainda assim, não pousaram na superfície lunar.

Para quem acompanhou o programa Apollo nas décadas de 1960 e 1970, a escolha pode parecer um retrocesso. Afinal, os Estados Unidos já levaram astronautas à Lua antes.

Mas a explicação envolve limitações técnicas, planejamento gradual e mudanças na forma como as missões espaciais são conduzidas hoje.

A nave não foi feita para pousar

O motivo mais direto é que a cápsula Orion, usada na Artemis II, não tem capacidade de pouso.

Ela foi projetada para levar astronautas até as proximidades da Lua e trazê-los de volta à Terra com segurança. Para chegar à superfície, seria necessário um módulo de pouso separado, que ainda não está pronto.

A Nasa firmou contratos com duas empresas para desenvolver esses veículos: a SpaceX, com a nave Starship, e a Blue Origin, com o módulo Blue Moon. Nenhum deles está disponível para uma missão tripulada neste momento.

A previsão mais próxima de um pouso é apenas para 2028, na missão Artemis IV.

O que mudou desde a era Apollo

Os pousos lunares ocorreram entre 1969 e 1972, durante a corrida espacial com a União Soviética. Após esse período, o interesse político e público diminuiu, e o programa Apollo foi encerrado.

Nas décadas seguintes, a Nasa concentrou seus esforços em missões em órbita baixa da Terra, como os ônibus espaciais e a Estação Espacial Internacional (ISS).

Com isso, a infraestrutura necessária para levar humanos à Lua foi praticamente desativada e precisa ser reconstruída praticamente do zero.

Esse processo envolve tecnologias mais modernas, padrões de segurança mais rigorosos e custos diferentes dos da época da Apollo, o que torna o retorno mais complexo do que pode parecer.

A estratégia da Nasa

A Artemis II faz parte de uma estratégia gradual da Nasa para reduzir riscos. A lógica é testar cada sistema separadamente antes de realizar uma missão mais complexa, como o pouso. Foi assim também no início do programa Apollo.

A Artemis I, em 2022, enviou a cápsula Orion ao redor da Lua sem tripulação. Agora, a Artemis II repete o trajeto com astronautas a bordo, testando sistemas de suporte de vida, propulsão, navegação e comunicação no espaço profundo.

Segundo a Nasa, a missão serve para confirmar que todos os sistemas funcionam como projetado com humanos a bordo.

A próxima etapa, a Artemis III, prevista para 2027, também não deve pousar na Lua. A missão será usada para treinar manobras de acoplamento entre a Orion e módulos de pouso em órbita terrestre.

Somente na Artemis IV está previsto o retorno de astronautas à superfície lunar.

Próximos passos da missão

A Artemis II ainda está em andamento e deve seguir com uma série de testes até o retorno à Terra.

  • 7 de abril: a Orion deixa a esfera de influência gravitacional da Lua, e cientistas em solo conversam com a tripulação sobre as observações feitas durante o sobrevoo lunar
  • 8 de abril: realização de testes de pilotagem manual e simulação de abrigo contra radiação solar
  • 9 de abril: último dia completo no espaço; a tripulação revisa os procedimentos de reentrada, realiza queima de correção de trajetória e veste roupas de compressão para minimizar os efeitos do retorno à gravidade
  • 10 de abril: a nave faz os últimos ajustes de rota, descarta o módulo de serviço, reentra na atmosfera protegida por um escudo térmico que suporta até 1.650°C e pousa no Oceano Pacífico
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