Tecnologia

Empresas usam ofensas a Kim Jong-un para filtrar falsos candidatos da Coreia do Norte

Teste com ofensa ao líder norte-coreano viralizou; ao menos 136 empresas dos EUA já foram afetadas por fraudes semelhantes

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 7 de abril de 2026 às 13h27.

Última atualização em 7 de abril de 2026 às 13h39.

Empregadores dos Estados Unidos e de outros países do Ocidente passaram a adotar métodos incomuns para identificar possíveis hackers ligados à Coreia do Norte durante processos seletivos remotos. A prática surge após investigações apontarem tentativas sistemáticas de infiltração em empresas estrangeiras, segundo autoridades americanas.

Um vídeo que viralizou na rede social X, antiga Twitter, mostra um recrutador pedindo a um candidato que insulte Kim Jong-un, líder norte-coreano. A solicitação, que envolve chamar o governante de "porco gordo e feio", busca provocar uma resposta considerada ilegal no contexto do regime. A estratégia tem sido usada como um teste indireto para verificar a autenticidade dos candidatos e possíveis vínculos com o país asiático.


Empresas dos EUA e da Europa estão proibidas de contratar cidadãos norte-coreanos devido a sanções internacionais, que visam conter o financiamento de programas militares do país. Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, há indícios de que salários obtidos por esses profissionais sejam redirecionados para iniciativas envolvendo armas nucleares e mísseis.

Em novembro de 2025, cinco indivíduos admitiram participação em um esquema para infiltrar trabalhadores falsos em companhias americanas de tecnologia. De acordo com o Departamento de Justiça, ao menos 136 empresas foram impactadas por esse tipo de fraude. O prejuízo estimado ultrapassa US$ 1 milhão, valor que teria sido canalizado para o governo norte-coreano.

Ocidente amplia defesa contra ataques cibernéticos

Além das fraudes em processos seletivos, cresce a preocupação com ciberataques atribuídos a grupos ligados à Coreia do Norte. Um dos casos recentes envolve a plataforma descentralizada Drift Protocol, que sofreu prejuízo de cerca de US$ 270 milhões. A ação foi associada ao coletivo conhecido como NC4736, também chamado de AppleJesus ou Citrine Sleet.

Outro episódio citado em relatórios de segurança envolve a empresa Axios. Investigadores apontam que invasores conseguiram acesso ao sistema após uma reunião profissional via Zoom, aplicativo de videoconferência. A partir dessa interação, foi possível inserir códigos maliciosos e comprometer a rede interna.

Entre os padrões observados está a construção gradual de confiança com funcionários, ao longo de semanas ou meses. Esse método facilita o acesso a sistemas corporativos e amplia o potencial de danos, reforçando a necessidade de protocolos mais rigorosos de verificação e segurança digital.

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