Onda de calor: sistemas de alta pressão estão associados à persistência de temperaturas elevadas (Freepik)
Redatora
Publicado em 26 de setembro de 2026 às 07h00.
As ondas de calor têm se tornado cada vez mais frequentes em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil. O fenômeno ocorre quando temperaturas muito acima da média permanecem sobre uma mesma região durante vários dias seguidos, aumentando os riscos para a saúde, a agricultura e o abastecimento de água.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma onda de calor é caracterizada por pelo menos cinco dias consecutivos em que a temperatura máxima diária fica cerca de 5°C ou mais acima da média climatológica para o período. Já no Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) considera onda de calor quando as temperaturas permanecem 5°C acima da média histórica por três dias consecutivos ou mais.
O principal mecanismo responsável pela formação de uma onda de calor é a atuação de um sistema de alta pressão atmosférica.
Esse sistema faz o ar descer em direção à superfície, dificultando a formação de nuvens e reduzindo a ocorrência de chuva. Com o céu mais aberto, a radiação solar aquece o solo com maior intensidade durante o dia, enquanto o bloqueio atmosférico impede a chegada de frentes frias capazes de reduzir as temperaturas.
Esse conjunto de fatores faz com que o calor permaneça sobre a mesma região por vários dias.
Além das condições da atmosfera, características da superfície também influenciam a intensidade do calor. Áreas urbanizadas, com grande concentração de concreto e asfalto, absorvem e armazenam mais calor do que regiões com vegetação abundante.
Solos secos também favorecem temperaturas mais elevadas, já que há menos água disponível para evaporação, processo que ajuda a resfriar o ambiente.
Por outro lado, locais com maior cobertura vegetal e umidade tendem a aquecer menos, pois parte da energia solar é utilizada na evaporação da água.
As ondas de calor não duram indefinidamente porque os sistemas atmosféricos mudam com o tempo.
O fenômeno costuma perder força quando o bloqueio atmosférico é rompido ou deslocado, permitindo a entrada de massas de ar mais frio e o retorno da formação de nuvens e chuvas.
Com isso, as temperaturas voltam gradualmente aos níveis mais próximos da média para a época do ano.
As ondas de calor são eventos naturais, mas o aquecimento global provocado pelas mudanças climáticas tem contribuído para intensificar esses extremos de temperatura.
Um estudo publicado no International Journal of Climatology, que analisou dados de todo o Brasil entre 1980 e 2024, identificou aumento da temperatura média e da frequência das ondas de calor no país. Segundo os pesquisadores, o aquecimento provocado pela ação humana intensifica esses eventos.
Além disso, ondas de calor podem ocorrer simultaneamente a períodos de seca. Uma revisão publicada nos Annals of the New York Academy of Sciences, liderada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta que as mudanças climáticas estão alterando a frequência, a duração e a severidade desses eventos combinados no Brasil.
A ocorrência simultânea de seca e calor extremo amplia os riscos associados a esses fenômenos, com possíveis impactos sobre a saúde, os recursos hídricos, a agricultura e os ecossistemas. No Brasil, estudos também relacionam esses eventos combinados ao aumento da ocorrência de incêndios e a efeitos sobre a saúde pública.
Também é importante permanecer em ambientes ventilados, utilizar roupas leves e dar atenção especial a crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, grupos mais vulneráveis aos efeitos das altas temperaturas.