Ciência

O que cientistas encontraram escondido no solo do Atacama

Pesquisa identificou nematoides em solos hiperáridos do Chile e mostrou que altitude, clima e chuva influenciam a biodiversidade local

Deserto do Atacama: cientistas encontram vermes em região do Chile, considerada a mais seca do planeta (foto/Wikimedia Commons)

Deserto do Atacama: cientistas encontram vermes em região do Chile, considerada a mais seca do planeta (foto/Wikimedia Commons)

Publicado em 11 de março de 2026 às 11h15.

Vermes microscópicos foram encontrados no solo do deserto do Atacama, no Chile, considerado a região não polar mais seca do mundo.

A descoberta, publicada na Nature Communications, foi feita por cientistas que investigaram a biodiversidade presente em diferentes regiões desse ambiente extremo.

O estudo identificou uma diversidade de nematoides, vermes cilíndricos microscópicos comuns em vários ecossistemas, vivendo em solos de áreas hiperáridas do Atacama.

A presença desses organismos indica que, mesmo em condições extremamente secas, o solo pode abrigar formas de vida adaptadas ao ambiente.

Para a pesquisa, os cientistas coletaram amostras de solo em seis regiões do deserto, representando diferentes micro-habitats. Entre os locais analisados estão o Altiplano, Aroma, Eagle Point/San Francisco, Paposo, as dunas de Totoral e o Salar de Huasco.

Estudo analisa vermes microscópicos no deserto do Atacama

Os pesquisadores examinaram 393 morfótipos de nematoides, utilizando características físicas e técnicas de sequenciamento genético de DNA para identificar espécies, relações evolutivas e estratégias de reprodução.

Os nematoides são frequentemente utilizados como bioindicadores da saúde do solo, pois respondem rapidamente às condições ambientais. A presença e a diversidade desses organismos ajudam cientistas a entender como os ecossistemas funcionam, inclusive em ambientes extremos.

Vida microscópica sobrevive em condições hiperáridas

Os resultados mostraram diferenças entre as regiões analisadas. Em áreas próximas ao Salar de Huasco e Paposo, os pesquisadores encontraram espécies associadas a ecossistemas mais complexos e relativamente estáveis.

Já em locais como o Altiplano e as dunas de Totoral, predominam organismos considerados mais resistentes a condições instáveis e ambientes mais simples.

Segundo os cientistas, fatores ambientais como precipitação, variação de temperatura e altitude ajudam a explicar a distribuição desses organismos no deserto.

A pesquisa também indica que, em áreas de maior altitude, é mais comum encontrar nematoides com reprodução assexuada, estratégia que pode favorecer a sobrevivência em ambientes extremos.

Diante disso, os resultados ajudam a compreender como a biodiversidade do solo se organiza em regiões áridas e podem contribuir para estudos sobre mudanças climáticas e desertificação, já que áreas secas representam cerca de 40% da superfície terrestre e tendem a se expandir nas próximas décadas.

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