Ciência

Asteroide 2024 YR4 monitorado pela Nasa guarda surpresa na órbita

Observações feitas pelo telescópio espacial James Webb ajudaram a refinar a órbita do asteróide 2024 YR4

Asteroide e Lua (Imagem gerada por IA/Freepik)

Asteroide e Lua (Imagem gerada por IA/Freepik)

Publicado em 11 de março de 2026 às 13h33.

Novas observações do asteroide 2024 YR4 ajudaram cientistas a entender melhor a trajetória da rocha espacial que, no passado, chegou a ser considerada uma das mais arriscadas já monitoradas. De acordo com a Nasa e a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), dados recentes obtidos com o Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês) indicam que o objeto não representa risco de colisão com a Lua.

O asteroide foi descoberto no final de dezembro de 2024 e inicialmente chamou atenção devido a cálculos preliminares apontavam uma pequena probabilidade de impacto com a Terra em 22 de dezembro de 2032. Observações posteriores feitas por telescópios terrestres e espaciais descartaram esse cenário.

Em junho do ano passado, porém, novas análises levantaram outra possibilidade: uma chance de 4,3% de colisão com a Lua. Para reduzir as incertezas, astrônomos recorreram ao telescópio espacial James Webb, capaz de detectar objetos muito fracos no espaço.

Observações com o James Webb

Os astrônomos Andy Rivkin, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, e Julien de Wit, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), conseguiram duas janelas de observação do asteroide com o Webb, nos dias 18 e 26 de fevereiro.

As medições permitiram refinar a posição e a órbita do objeto. Os novos cálculos indicam que o asteroide passará a cerca de 22.900 quilômetros da Lua, distância considerada próxima em termos astronômicos, mas suficiente para descartar uma colisão.

O asteroide possui cerca de 60 metros de diâmetro, tamanho comparável ao de um prédio. Detectá-lo foi um desafio: nas imagens do telescópio, o objeto apareceu extremamente fraco, refletindo uma quantidade de luz comparável à de uma pequena amêndoa vista à distância da Lua.

Para registrar o objeto, os pesquisadores precisaram adaptar os instrumentos do James Webb, normalmente usados para observar galáxias distantes e exoplanetas. O asteroide se move rapidamente em relação às estrelas de fundo, o que exigiu técnicas específicas de rastreamento.

As observações estavam limitadas a janelas curtas de cerca de cinco horas, quando o objeto ficava brilhante o suficiente para ser detectado e dentro do campo de visão permitido do telescópio.

Apesar das dificuldades, os dados coletados permitiram determinar a posição do asteroide com grande precisão e reduzir as incertezas sobre sua trajetória.

Monitoramento de rochas espaciais

Refinar a órbita de asteroides é um passo essencial para avaliar possíveis riscos no futuro. Cada nova observação reduz o número de trajetórias possíveis e melhora a previsão do caminho do objeto.

Segundo os pesquisadores, o trabalho também demonstra que o Telescópio Espacial James Webb pode desempenhar um papel importante na defesa planetária, ajudando a monitorar objetos próximos da Terra e a determinar suas órbitas com mais precisão.

Embora a possibilidade de colisão tenha sido descartada, o asteroide continuará sendo acompanhado nos próximos anos para atualizar as estimativas sobre sua trajetória.

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