Ciência

O caos da era dos dinossauros que pode se repetir no futuro

Pesquisadores identificaram oscilações climáticas rápidas há cerca de 83 milhões de anos

Terra: cientistas relacionaram oscilações orbitais do planeta a mudanças climáticas abruptas (Imagem gerada por IA)

Terra: cientistas relacionaram oscilações orbitais do planeta a mudanças climáticas abruptas (Imagem gerada por IA)

Publicado em 28 de maio de 2026 às 10h14.

Pequenas alterações na órbita da Terra podem ter provocado mudanças climáticas abruptas durante a era dos dinossauros, segundo um estudo liderado por pesquisadores da China University of Geosciences.

A análise sugere que o planeta alternava rapidamente entre períodos mais úmidos e mais secos há cerca de 83 milhões de anos.

Os resultados foram publicados na revista científica Nature Communications e ajudam cientistas a entender como o clima terrestre pode sofrer oscilações intensas mesmo em períodos sem grandes calotas polares.

O que os cientistas descobriram?

Os pesquisadores analisaram sedimentos antigos encontrados na Bacia de Songliao, na China, formados durante o período Cretáceo Superior, quando os dinossauros ainda dominavam o planeta.

Naquela época, a Terra vivia um clima de efeito estufa, com altas concentrações de dióxido de carbono na atmosfera e praticamente sem gelo nos polos. Segundo a equipe, os registros revelaram ciclos climáticos repetidos de aproximadamente 4 mil a 5 mil anos, alternando entre períodos mais secos e úmidos.

Os cientistas relacionaram essas mudanças a pequenas oscilações na órbita e no eixo de rotação da Terra.

Como a órbita da Terra influencia o clima?

A Terra não gira de forma totalmente estável. O eixo do planeta realiza um movimento lento conhecido como precessão axial, semelhante à oscilação de um pião. Esse processo altera a distribuição da luz solar entre os hemisférios ao longo do tempo e influencia padrões climáticos globais.

Segundo os pesquisadores, regiões tropicais parecem ter sido especialmente afetadas por essas mudanças orbitais durante o Cretáceo.

A análise sugere que variações na incidência de luz solar próximas ao Equador foram suficientes para provocar grandes mudanças climáticas mesmo sem a presença de calotas polares.

O que a descoberta pode indicar sobre o futuro?

Os autores afirmam que o estudo ajuda cientistas a compreender como o clima da Terra pode reagir em cenários de aquecimento extremo.

Além dos ciclos de cerca de 5 mil anos, os cientistas também encontraram sinais de flutuações climáticas ainda mais rápidas, ocorrendo em intervalos entre 1,8 mil e 4 mil anos.

Segundo o paleoclimatologista Michael Wagreich, da University of Vienna, os níveis de CO₂ daquele período se aproximam das projeções mais pessimistas para os próximos séculos.

Os pesquisadores alertam que oscilações climáticas rápidas semelhantes às observadas no passado podem voltar a ocorrer em um planeta mais quente.

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