Ciência

China testa futuro da reprodução humana no espaço com embriões artificiais

Estruturas criadas a partir de células-tronco humanas estão sendo estudadas na estação espacial Tiangong

Espaço: experimento chinês acompanha desenvolvimento de embriões artificiais em órbita (Freepik)

Espaço: experimento chinês acompanha desenvolvimento de embriões artificiais em órbita (Freepik)

Publicado em 28 de maio de 2026 às 07h53.

A China iniciou um experimento inédito para estudar como o ambiente espacial pode afetar o desenvolvimento embrionário humano. Cientistas enviaram embriões humanos artificiais para a estação espacial chinesa Tiangong, onde as estruturas estão sendo analisadas em condições de microgravidade.

As amostras chegaram ao laboratório orbital no último dia 11 de maio a bordo da nave de carga Tianzhou-10, lançada do Centro Espacial de Wenchang, na ilha chinesa de Hainan.

Segundo a Academia de Ciências Chinesa (CAS), o experimento segue funcionando normalmente. Um sistema automatizado realiza diariamente a troca do meio de cultura utilizado nas amostras durante o período de observação no espaço.

Uso dos embriões artificiais

Os embriões utilizados no estudo foram produzidos em laboratório a partir de células-tronco humanas vivas. Apesar de se parecerem com embriões naturais em estágios iniciais, os pesquisadores afirmam que essas estruturas não têm capacidade de se desenvolver em um ser humano.

Segundo a equipe chinesa, o objetivo é usar os modelos biológicos para entender processos ligados ao desenvolvimento humano inicial sem utilizar embriões humanos convencionais.

As amostras enviadas à Tiangong foram divididas em dois formatos. Parte delas foi cultivada junto a células uterinas, enquanto outra foi colocada em chips microfluídicos, dispositivos usados para reproduzir condições biológicas em pequena escala.

Experimentos idênticos também estão sendo conduzidos simultaneamente em laboratórios na Terra para comparação dos resultados.

Por que a China quer estudar embriões no espaço?

O principal objetivo do estudo é entender como a microgravidade interfere no desenvolvimento embrionário humano.

Segundo os pesquisadores, os resultados podem ajudar cientistas a compreender desafios biológicos ligados à permanência humana prolongada fora da Terra, incluindo reprodução e desenvolvimento de futuras colônias espaciais.

Os cientistas destacam que missões de longa duração para a Lua e Marte dependerão de um entendimento mais amplo sobre os efeitos do ambiente espacial no corpo humano.

Pesquisas anteriores já mostraram que a microgravidade pode afetar o comportamento de espermatozoides e acelerar o envelhecimento de células-tronco, fatores considerados importantes para futuras missões espaciais.

Amostras serão analisadas após retorno à Terra

Segundo o estudo, as estruturas cultivadas no espaço serão congeladas ainda em órbita antes de serem trazidas de volta ao planeta. Segundo os pesquisadores, a comparação entre as amostras mantidas na estação espacial e aquelas cultivadas em laboratórios terrestres pode ajudar a identificar alterações causadas pelo espaço no desenvolvimento embrionário humano inicial.

Além dos embriões artificiais, a missão chinesa também levou experimentos com embriões de peixe-zebra e camundongos, além de equipamentos científicos, alimentos, combustível e trajes espaciais.

Acompanhe tudo sobre:ChinaEspaço

Mais de Ciência

O que é um supertufão? Entenda o fenômeno que ameaça países da Ásia

Nasa registra olho do supertufão Bavi em imagem de satélite

Colecionadores de conchas? Estudo revela hábito comum entre neandertais e humanos

Comer de 3 em 3 horas acelera o metabolismo? Veja o que diz a ciência