Pane na CET: o sistema apresentou uma instabilidade durante a manhã (Paulo Pinto/Agência Brasil)
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 14h26.
A greve da CPTM afetou a circulação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade nesta terça-feira, 4. Para reduzir os impactos aos passageiros, o Governo de São Paulo acionou um plano de contingência que inclui operação parcial dos trens, reforço na rede metroviária, ônibus do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) e aumento do policiamento nas estações.
Além dos transtornos provocados pela paralisação, a cidade enfrentou outro problema. O sistema da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) responsável por medir a extensão dos congestionamentos apresentou uma pane, impedindo a divulgação dos índices reais de lentidão durante boa parte da manhã.
O movimento foi mantido pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, apesar de uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinar a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 400 mil ao sindicato.
Segundo a CET, o sistema apresentou uma instabilidade durante a manhã. Antes de sair do ar, o painel chegou a indicar, de forma equivocada, mais de 2.000 quilômetros de congestionamento na capital paulista.
Após a falha, a plataforma passou a informar 0 km de lentidão, número igualmente incorreto.
Em nota, a companhia pediu que a população desconsiderasse temporariamente os dados publicados no portal.
"No momento, pedimos para desconsiderar os dados do site da CET, porque o sistema passa por instabilidade de manutenção. Enviaremos o índice correto por meio de nota oficial assim que possível", informou o órgão.
Antes da pane, os registros indicavam um cenário de trânsito intenso, mas dentro dos padrões normalmente observados em dias de grande movimento. A Zona Leste chegou a concentrar mais de 300 km de lentidão, enquanto a Zona Sul ultrapassou 200 km, segundo medições preliminares da própria CET.
Como o sistema permaneceu indisponível durante parte do dia, o tamanho real dos congestionamentos provocados pela greve não pôde ser confirmado até o início da tarde.
A Linha 11-Coral opera entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases, enquanto a Linha 12-Safira funciona entre Brás e Engenheiro Goulart. Já a Linha 13-Jade e o Expresso Aeroporto permanecem sem operação.
As linhas concedidas 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda seguem funcionando normalmente. A Linha 10-Turquesa também opera sem alterações.
O Metrô antecipou a abertura das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata para as 4h. A Linha 3-Vermelha recebeu reforço de composições por concentrar parte dos passageiros vindos das linhas da CPTM afetadas pela paralisação.
Segundo o governo paulista, trens vazios poderão ser enviados para estações com maior lotação, como Corinthians-Itaquera, Tatuapé, Brás e Palmeiras-Barra Funda, para acelerar o embarque e reduzir o tempo de espera.
Apesar da paralisação, passageiros que utilizavam trechos integrados ao Metrô, como Barra Funda e Tatuapé, conseguiram completar seus deslocamentos por meio das conexões entre os sistemas ferroviário e metroviário, ainda que enfrentando atrasos.
O Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) foi acionado para complementar o transporte ferroviário.
A paralisação afetou principalmente a Zona Leste da capital e cidades atendidas pelas linhas interrompidas, como Guarulhos, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Suzano e Poá.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) suspendeu o rodízio municipal de veículos durante toda esta terça-feira para facilitar os deslocamentos dos passageiros afetados pela greve.
Permanecem em vigor, porém, as restrições para caminhões, fretados e corredores exclusivos de ônibus.
Segundo a CET, o aumento do número de veículos particulares nas ruas, somado à circulação dos ônibus do Paese, contribuiu para elevar o volume de tráfego registrado na cidade.
A greve dos trabalhadores da CPTM foi deflagrada em meio ao processo de concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade à iniciativa privada.
A principal reivindicação da categoria é uma garantia formal de manutenção dos empregos, dos direitos trabalhistas e dos benefícios após a transferência definitiva da operação para a concessionária Trivia Trens.
Embora a CPTM tenha retomado temporariamente a operação das três linhas por determinação da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), após problemas registrados nos primeiros dias de atuação da concessionária, os ferroviários afirmam que a medida não resolve a principal preocupação: o futuro dos funcionários quando a concessão voltar a avançar.
Segundo o sindicato, o governo ainda não apresentou garantias formais sobre a absorção dos trabalhadores. Já a gestão Tarcísio de Freitas afirma que propôs medidas para preservar os empregos, como a possibilidade de remanejamento para outros órgãos estaduais, a incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM e a inclusão dos funcionários no Iamspe. Mesmo assim, a categoria decidiu manter a paralisação por tempo indeterminado.