Bem-estar: estudos mostram que pequenas interações do dia a dia já ajudam a criar conexões sociais (Freepik)
Redatora
Publicado em 3 de agosto de 2026 às 20h08.
Uma conversa rápida na fila do café, no elevador ou durante uma caminhada pode fazer mais pela saúde mental do que muita gente imagina. Pesquisas recentes indicam que interações casuais com conhecidos ou até desconhecidos ajudam a reduzir a sensação de isolamento, melhoram o humor e fortalecem o sentimento de pertencimento.
As conclusões foram reunidas pela psicóloga Gillian Sandstrom, professora associada de Psicologia da Gentileza da Universidade de Sussex e autora do livro "Once Upon a Time a Stranger: The Science of How a Casual Conversation Can Add Up to a Big Life". Em entrevista ao The Wall Street Journal, ela explica como conversas informais desempenham um papel tão importante na construção de relacionamentos e no bem-estar emocional.
Segundo Sandstrom, os seres humanos têm uma necessidade básica de se sentir parte de uma comunidade. Conversas breves e despretensiosas ajudam a criar essa conexão, mesmo quando acontecem entre pessoas que não possuem um vínculo próximo.
Além de melhorar o humor, esses encontros ampliam o contato com novas ideias, diferentes perspectivas e experiências de vida.
A especialista afirma que até conversar com um desconhecido pode ser útil em determinados momentos, já que alguém de fora da situação tende a oferecer uma visão mais neutra sobre um problema.
Os pesquisadores chamam essas interações de "laços fracos", expressão usada para descrever relações com conhecidos ocasionais, vizinhos, atendentes ou pessoas encontradas no dia a dia.
Estudos citados por Sandstrom mostram que esse tipo de contato pode reduzir o estresse, aumentar a sensação de apoio social e contribuir para uma visão mais positiva das outras pessoas e do ambiente ao redor.
Segundo ela, essas conversas também ajudam a construir confiança e podem, com o tempo, evoluir para amizades ou outros relacionamentos.
Além disso, a especialista destaca que o benefício também está menos no assunto discutido e mais na troca entre duas pessoas, no ato de ouvir, compartilhar experiências e sentir-se ouvido.
Um estudo recente citado pela pesquisadora mostrou que, desde 2005, as pessoas passaram a falar, em média, 338 palavras a menos por dia — o equivalente a cerca de 120 mil palavras a menos por ano.
Na avaliação de Sandstrom, parte dessa redução está relacionada ao aumento das atividades realizadas por telas, como pedir comida, fazer compras ou trabalhar remotamente, diminuindo as oportunidades de interação presencial.
Para quem tem dificuldade em conversar com pessoas desconhecidas, a pesquisadora sugere três estratégias simples:
No entanto, segundo Sandstrom, nem toda tentativa resultará em uma boa interação, mas isso nem sempre tem relação com quem iniciou o contato. A outra pessoa pode simplesmente estar distraída, preocupada ou sem disposição para conversar naquele momento.
Para a pesquisadora, manter a disposição para novas conversas é o mais importante, já que a diversidade dessas pequenas interações faz parte dos benefícios observados para a saúde mental.