Ciência

Ossos encontrados em cavernas submersas podem desvendar mistério de gigantes extintos

Marcas preservadas por milhares de anos ajudam cientistas a reconstruir como a megafauna chegou e foi preservada em cemitérios subaquáticos

Fóssil: ossos preservados em cavernas subaquáticas guardam pistas sobre a história da megafauna extinta (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Fóssil: ossos preservados em cavernas subaquáticas guardam pistas sobre a história da megafauna extinta (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 14h07.

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Ossos preservados em cavernas submersas podem ajudar a solucionar um dos mistérios da megafauna extinta. Um estudo liderado pela Universidade Griffith, na Austrália, revelou que esses fósseis carregam marcas químicas e biológicas capazes de indicar como os animais chegaram aos chamados cemitérios subaquáticos e o que aconteceu com seus restos ao longo de milhares de anos.

A pesquisa, publicada na revista PLOS One, apresenta a primeira estrutura desenvolvida para interpretar como fósseis de vertebrados se acumulam, são preservados e sofrem alterações em cavernas inundadas. Segundo os autores, a descoberta pode ampliar a compreensão sobre a história da megafauna e de outros animais preservados nesses ambientes.

Marcas nos ossos funcionam como uma espécie de 'impressão digital'

Os pesquisadores analisaram ossos encontrados em dois sistemas de cavernas subaquáticas no sul da Austrália e compararam esses materiais com restos preservados em cavernas secas.

A investigação reuniu diferentes técnicas de análise, desde a observação da superfície dos ossos até exames de sua composição química e das proteínas preservadas em células antigas.

Os resultados mostraram que cada ambiente deixa um conjunto característico de marcas nos fósseis. Essas alterações funcionam como uma espécie de "impressão digital", permitindo identificar as condições às quais os ossos foram expostos após a morte dos animais.

Luz e escuridão deixam marcas diferentes

O estudo mostrou que a presença ou ausência de luz altera diretamente a forma como os ossos são preservados. Nas áreas próximas às entradas das cavernas, onde a luz solar ainda alcança a água, algas e plantas crescem sobre os ossos e deixam marcas características em suas superfícies.

Já nas regiões completamente escuras, onde não há crescimento de plantas, muitos ossos permanecem praticamente intactos, preservando detalhes importantes de sua estrutura original.

Nas cavernas secas, o processo é diferente. Em vez de sinais deixados por organismos aquáticos, os pesquisadores encontraram alterações provocadas por bactérias terrestres e sulcos produzidos pelo crescimento de raízes.

Estudo analisou ossos de animais modernos para entender fósseis antigos

As amostras foram coletadas nos sistemas de cavernas Green Waterhole e Gouldens Sinkhole, próximos à cidade de Mount Gambier, no sul da Austrália.

Os pesquisadores analisaram restos de diferentes espécies, entre elas vacas, cangurus, emas, ovelhas, porcos, dingos, coelhos, gambás, quolls e ratos-do-brejo. Alguns desses ossos podem remontar à chegada dos primeiros colonizadores europeus à região, na década de 1840.

Ao compreender como esses restos mais recentes chegaram às cavernas e foram modificados pelo ambiente, a equipe espera reconstruir o processo que também levou fósseis da megafauna extinta a esses locais.

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