Ciência

Nave da Nasa colide com asteroide e faz 'confusão' no espaço

Novo estudo mostra que impacto da missão Dart também alterou a trajetória do sistema de asteroides ao redor do Sol

Nasa: novo estudo mostra que impacto da missão Dart também alterou a trajetória do sistema de asteroides ao redor do Sol (Steve Gribben/Reprodução)

Nasa: novo estudo mostra que impacto da missão Dart também alterou a trajetória do sistema de asteroides ao redor do Sol (Steve Gribben/Reprodução)

Publicado em 12 de março de 2026 às 07h06.

A colisão da nave DART (Double Asteroid Redirection Test), da Nasa, com o asteroide Dimorfo em 2022 não apenas alterou a órbita do corpo celeste ao redor de outro asteroide, como também modificou sua trajetória ao redor do Sol. A descoberta, apresentada em um estudo publicado na revista científica Science Advances, indica que impactos controlados podem, no futuro, ajudar a desviar rochas espaciais potencialmente perigosas para a Terra.

Segundo os pesquisadores, a mudança detectada foi pequena, mas representa a primeira vez que cientistas conseguem medir diretamente uma alteração desse tipo após um impacto provocado por uma nave espacial.

A missão DART foi lançada pela Nasa em 2021 e, 10 meses depois, colidiu com Dimorfo, um pequeno asteroide que orbita o corpo maior chamado Dídimo. O impacto ocorreu a cerca de 22.500 km/h.

Choque da nave alterou órbita

A colisão já havia demonstrado sucesso ao alterar a órbita de Dimorfo ao redor de Dídimo em 32 minutos. No entanto, novas análises indicam que o impacto também alterou o movimento do sistema de asteroides ao redor do Sol.

De acordo com Rahil Makadia, pesquisador da Universidade de Illinois Urbana-Champaign e autor principal do estudo, mudanças mínimas podem ser suficientes para evitar um impacto futuro com a Terra. Segundo ele, o impacto alterou o movimento orbital do asteroide em cerca de 150 milissegundos.

Apesar de parecer um valor pequeno, o cientista afirma que variações desse tipo podem ser decisivas quando se trata de defesa planetária.

Efeito da colisão

Os pesquisadores também descobriram que a alteração da trajetória não ocorreu apenas por causa do impacto inicial da nave. A colisão gerou uma grande nuvem de poeira e detritos, observada por telescópios na Terra e no espaço. Esse material ejetado contribuiu para aumentar a força da deflexão, praticamente dobrando o efeito esperado apenas com o impacto da nave.

Antes da colisão, os asteroides orbitavam o Sol a mais de 122 mil km/h. Após o choque provocado pela DART, a velocidade aumentou em cerca de cinco centímetros por hora.

Impacto

Para calcular as mudanças na órbita do sistema, os cientistas contaram com observações feitas por astrônomos amadores ao redor do mundo. Eles registraram o momento em que os asteroides passaram diante de estrelas distantes.

Como as posições dessas estrelas são conhecidas com precisão, os dados permitiram determinar com mais exatidão a localização dos asteroides no espaço.

Os pesquisadores também utilizaram medições feitas antes da missão com os observatórios de Goldstone, na Califórnia, e Arecibo, em Porto Rico.

Próxima missão

Ainda em 2026, a espaçonave Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA), deve chegar ao sistema de asteroides Dídimo–Dimorfo. A missão irá investigar em detalhes os efeitos da colisão da DART.

Entre os objetivos da missão está analisar como a forma de Dimorfo mudou após o choque, estimar a quantidade de material ejetado durante o evento e verificar se fragmentos retornaram à superfície do asteroide ou se foram lançados definitivamente para o espaço.

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