Marte: perda da Maven deixou a Nasa com apenas dois orbitadores ativos ao redor do planeta (Getty Images)
Redatora
Publicado em 28 de outubro de 2026 às 10h08.
A Nasa enfrenta um desafio para manter suas operações em Marte. Com uma frota de sondas cada vez mais antiga, a agência espacial americana precisa garantir a continuidade das pesquisas e da comunicação com equipamentos na superfície do planeta.
O cenário se agravou após a perda de contato com a sonda Maven, que reduziu de três para dois o número de orbitadores ativos da agência. Enquanto busca reforçar sua infraestrutura espacial, a Nasa depende de equipamentos que acumulam décadas de funcionamento.
O problema foi analisado em um artigo publicado no The Conversation na última terça-feira, 20.
A Maven chegou a Marte em 2014 para estudar a atmosfera do planeta e tornou-se o orbitador mais recente da Nasa. Em dezembro de 2025, a agência perdeu contato com o equipamento após a sonda reaparecer de trás do planeta e deixar de transmitir sinais de rádio.
Até então, a Maven aparentava estar em boas condições. A causa da perda de comunicação ainda não foi divulgada publicamente. De acordo com a Nasa, um relatório sobre o ocorrido deverá ser divulgado ainda neste ano.
Essa foi a segunda vez no século XXI que a agência perdeu contato com um orbitador marciano durante operações rotineiras. O caso anterior ocorreu em 2006, com a Mars Global Surveyor, cuja perda foi provavelmente causada por problemas relacionados a comandos de software, segundo a publicação.
Marte chegou a ter oito satélites artificiais ativos simultaneamente, pertencentes a diferentes agências espaciais. Em 2021, três eram da Nasa, dois da Agência Espacial Europeia (ESA) e os demais pertenciam à Índia, aos Emirados Árabes Unidos e à China.
Com a perda da Maven, o total caiu para sete, incluindo apenas dois equipamentos americanos. A 2001 Mars Odyssey é a sonda mais antiga dessa frota, com aproximadamente 25 anos de operação.
Outros equipamentos também acumulam décadas no espaço:
A exposição prolongada à radiação solar e às variações extremas de temperatura pode comprometer componentes dos satélites. Mesmo quando continuam operacionais, os equipamentos podem perder parte de suas capacidades. Foi o que aconteceu com a Mars Reconnaissance Orbiter, cujo espectrômetro deixou de funcionar em 2023. Os demais instrumentos permaneceram ativos.
Além de realizar pesquisas científicas, os orbitadores funcionam como uma infraestrutura de comunicação entre Marte e a Terra. Seus sistemas de rádio retransmitem informações coletadas por equipamentos que operam na superfície do planeta.
Essa função é importante para missões como as dos rovers Curiosity e Perseverance, que dependem da transmissão de dados científicos para a Terra. Os satélites também ajudam a identificar locais adequados para pousos.
A câmera HiRISE, instalada na Mars Reconnaissance Orbiter, fornece imagens de alta resolução utilizadas no planejamento de missões. Seus registros contribuíram para as operações de pouso do Curiosity, do Perseverance e do módulo InSight.
Os dados orbitais também permitem acompanhar fenômenos que não podem ser observados continuamente por equipamentos na superfície. Entre eles estão mudanças sazonais na atmosfera, formações na superfície e tempestades de poeira capazes de atingir grandes regiões do planeta.
Durante seus 11 anos em Marte, a Maven observou apenas uma tempestade global de poeira, registrada em 2018. Esses eventos ocorrem em intervalos de vários anos marcianos, e suas causas ainda não são totalmente compreendidas.
Para reforçar a infraestrutura de comunicação, a Nasa selecionou a Blue Origin, empresa fundada por Jeff Bezos, para fornecer um novo satélite de telecomunicações. O anúncio foi feito em setembro, com previsão de entrega até 31 de dezembro de 2028.
O equipamento deverá apoiar futuras missões de exploração, mas o anúncio não apresentou planos para incluir instrumentos científicos. O prazo também depende das oportunidades de lançamento para Marte.
As condições mais favoráveis para viagens ao planeta ocorrem aproximadamente a cada dois anos, quando as posições relativas da Terra e de Marte permitem trajetórias que exigem menos combustível.
Caso não haja um novo lançamento na janela de 2028, a oportunidade seguinte deverá ocorrer em 2030 ou 2031. Nesse período, a Mars Odyssey estará próxima de completar três décadas de operação, enquanto a Mars Reconnaissance Orbiter terá aproximadamente 25 anos.
Embora equipamentos espaciais frequentemente superem a vida útil prevista, a perda de instrumentos e falhas de comunicação representam desafios para a continuidade das missões. A divulgação do relatório sobre a Maven poderá ajudar os engenheiros a compreender o ocorrido e identificar medidas para manter os orbitadores restantes em funcionamento.