Ciência

Nasa provoca China em disputa pela Lua e insinua que programa espacial chinês é 'coisa de criança'

Agência americana prepara testes de acoplagem em órbita terrestre enquanto Pequim planeja uma instalação permanente na Lua

China avança rumo à Lua, e Nasa invoca liderança histórica dos EUA (Elen11/Getty Images)

China avança rumo à Lua, e Nasa invoca liderança histórica dos EUA (Elen11/Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 26 de outubro de 2026 às 15h28.

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A Nasa recorreu à trajetória do programa espacial dos Estados Unidos para dimensionar os avanços da China na disputa pela Lua. Durante uma coletiva sobre a missão Artemis III, nesta sexta-feira, 23, o administrador da agência, Jared Isaacman, lembrou que o primeiro voo orbital tripulado chinês ocorreu em 2003, mais de quatro décadas depois do realizado pelo americano John Glenn, em 1962.

Segundo Isaacman, quando a China enviou seu primeiro astronauta ao espaço, os Estados Unidos já haviam realizado seis pousos tripulados na Lua e 113 missões com ônibus espaciais. O administrador afirmou que, desde aquele período, quando o programa chinês ainda estava na “infância”, o país colocou em órbita centenas de satélites de comunicação, observação da Terra e uso militar.

As declarações ocorreram durante a apresentação de prazos e parcerias do programa Artemis. A Artemis III deverá testar manobras de encontro e acoplagem em órbita terrestre, como preparação para o retorno de astronautas à superfície lunar, previsto para 2028.

Avanços chineses ampliam disputa pela Lua

Nos últimos cinco anos, a China colocou em operação a Tiangong, estação que funciona como laboratório orbital. O país também trouxe à Terra as primeiras amostras de solo do lado oculto da Lua, feito que nenhuma outra nação havia realizado.

Esses resultados deram projeção à competição espacial entre Pequim e Washington. O plano chinês de estabelecer uma instalação permanente na Lua até 2040 provocou reações no Congresso americano, onde parlamentares passaram a defender uma resposta dos Estados Unidos.

A Nasa, por sua vez, promete construir um posto avançado americano na superfície lunar. A comparação entre os programas, porém, enfrenta limitações: o acesso às informações sobre o desenvolvimento aeroespacial chinês dificulta avaliar em que estágio estão todos os projetos do país.

Artemis III terá testes de acoplagem em órbita terrestre

Em outubro, a agência americana informou que a montagem do foguete SLS, sigla em inglês para Sistema de Lançamento Espacial, avançou com o empilhamento dos propulsores e a instalação dos motores principais.

O cronograma prevê o transporte do foguete à plataforma para testes de abastecimento e simulações dos procedimentos do dia do lançamento. A preparação também inclui inspeções nos painéis solares da cápsula Orion e reparos na plataforma.

A Artemis III deverá avaliar a capacidade de encontro e acoplagem com módulos de pouso comerciais em órbita baixa da Terra. Esses procedimentos integram a preparação para as operações que permitirão levar astronautas à Lua.

A tripulação anunciada reúne Randy Bresnik, como comandante; o italiano Luca Parmitano, como piloto; e Andre Douglas e Frank Rubio, como especialistas de missão. Bob Hines foi indicado para a equipe reserva.

Os treinamentos incluem evacuação de emergência, uso de trajes espaciais e resgate no mar com helicópteros. Os exercícios acompanham os testes dos equipamentos do foguete e da nave Orion.

Artemis II testou nave com astronautas a bordo

Realizada em abril de 2026, a Artemis II durou cerca de dez dias e levou astronautas às proximidades da Lua após um intervalo de mais de 50 anos. A missão teve como objetivo avaliar o funcionamento dos sistemas da Orion com uma tripulação a bordo.

O voo não previa pouso. Diferentemente das missões Apollo que chegaram à superfície lunar, a Artemis II não transportou um módulo destinado à descida.

A Orion e o SLS cumprem funções de transporte e navegação no espaço profundo. Para alcançar o solo lunar, o programa depende de um veículo de pouso, cuja integração às operações será testada nas próximas etapas.

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