Envelhecimento: medicamento experimental desenvolvido com auxílio da IA apresentou mudanças em marcadores de idade biológica (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 12 de setembro de 2026 às 04h30.
Um medicamento desenvolvido com auxílio de inteligência artificial apresentou mudanças em marcadores associados ao envelhecimento. O resultado foi observado em um estudo com 42 pacientes que receberam o rentosertib, medicamento experimental da empresa de biotecnologia Insilico Medicine.
A análise avaliou a chamada idade biológica dos participantes por meio de seis relógios biológicos. Segundo a empresa, os pacientes que receberam o medicamento apresentaram redução de até seis anos na idade biológica média quatro semanas após a primeira dose.
Os resultados foram descritos em uma análise publicada na Nature Biotechnology, e divulgadas pela Bloomberg. Os participantes tinham doença pulmonar crônica, e o estudo faz parte de um ensaio clínico de fase 2 voltado ao tratamento da fibrose pulmonar idiopática.
A idade biológica é uma estimativa de como o organismo está envelhecendo. Ela é diferente da idade cronológica, calculada a partir da data de nascimento.
Os chamados relógios biológicos utilizam alterações químicas e moleculares do organismo para estimar esse processo. No estudo, foram utilizados seis métodos desenvolvidos por diferentes equipes de pesquisa.
Entre elas estavam grupos da própria Insilico Medicine, da Universidade Harvard e da Universidade de Pequim. Cada relógio utiliza métricas próprias para avaliar mudanças relacionadas ao envelhecimento.
Os pesquisadores coletaram amostras de sangue dos participantes em diferentes momentos do ensaio. O material foi analisado para identificar alterações em proteínas e outros marcadores biológicos.
Após quatro semanas, os participantes tratados com rentosertib apresentaram redução na idade biológica estimada pelos relógios utilizados na análise.O efeito, porém, não permaneceu com a mesma intensidade durante todo o acompanhamento. Segundo a empresa, a redução observada inicialmente diminuiu posteriormente. Os participantes que receberam placebo apresentaram pouca alteração nos mesmos indicadores durante o período analisado.
A inteligência artificial foi utilizada pela Insilico Medicine em diferentes etapas do desenvolvimento do rentosertib. Primeiro, uma ferramenta analisou grandes quantidades de dados para identificar possíveis alvos relacionados ao envelhecimento. A empresa selecionou um componente considerado relevante para o processo.
Depois, outro sistema foi utilizado para projetar e aprimorar moléculas candidatas. A ferramenta realizou uma triagem virtual e sugeriu modificações para otimizar os compostos.
A estratégia faz parte de uma tentativa de utilizar IA para acelerar etapas da descoberta de medicamentos e identificar novos alvos terapêuticos.Apesar dos resultados, o rentosertib não é um medicamento aprovado para tratar o envelhecimento. O composto está sendo desenvolvido principalmente para o tratamento da fibrose pulmonar idiopática, uma doença pulmonar crônica e progressiva. Atualmente, o medicamento está em um ensaio clínico de fase final na China para essa finalidade.
O estudo sobre idade biológica não demonstra que o medicamento faça as pessoas viverem mais ou reverta o envelhecimento clínico. Também não permite concluir que a redução nos relógios biológicos resulte em benefícios de saúde no longo prazo.
A análise teve uma amostra pequena, com apenas 42 pacientes, e avaliou alterações durante um período limitado. Por isso, os resultados ainda precisam ser confirmados em grupos maiores e com acompanhamento mais prolongado.
O próprio Alex Zhavoronkov, CEO da Insilico Medicine, afirmou que os resultados são preliminares e que os efeitos de longo prazo ainda são desconhecidos.
A empresa pretende realizar análises semelhantes em outros medicamentos de seu portfólio. A estratégia busca investigar se alguns tratamentos desenvolvidos para doenças relacionadas à idade também podem produzir alterações em marcadores de envelhecimento.