Ciência

Além dos músculos: cientistas descobrem possível efeito da creatina contra o câncer

Estudo sugere que o suplemento reforça o sistema imunológico ao estimular células que combatem tumores em modelos experimentais

Creatina: pesquisadores investigam uso do suplemento para potencializar a imunoterapia contra o câncer (Freepik)

Creatina: pesquisadores investigam uso do suplemento para potencializar a imunoterapia contra o câncer (Freepik)

Publicado em 9 de julho de 2026 às 07h38.

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A creatina, suplemento amplamente utilizado para aumentar força e desempenho físico, pode ter uma outra função além dos músculos. Um estudo identificou que a substância fortalece uma etapa importante da resposta imunológica contra o câncer, aumentando a atividade de células responsáveis por iniciar o ataque do organismo aos tumores.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e publicada na revista iScience. Os resultados foram obtidos em experimentos com camundongos e células humanas cultivadas em laboratório.

Como a creatina pode ajudar o sistema imunológico

Os pesquisadores descobriram que a creatina melhora o funcionamento das células dendríticas, um tipo de célula do sistema imunológico responsável por identificar células cancerígenas e ativar as chamadas células T citotóxicas, que atacam e destroem os tumores.

Segundo os autores, essas células dendríticas precisam de grande quantidade de energia para desempenhar sua função. A creatina atua justamente nesse processo, aumentando as reservas de ATP, molécula que fornece energia para praticamente todas as atividades celulares.

Com mais energia disponível, elas permanecem mais ativas e conseguem estimular de forma mais eficiente a resposta imunológica contra o câncer .

O que o estudo descobriu?

A equipe observou que células dendríticas presentes nos tumores apresentavam maior atividade do gene responsável pelo transporte de creatina para o interior celular.

Para confirmar a importância desse mecanismo, os pesquisadores criaram células incapazes de absorver creatina. Nessas condições, elas sobreviveram por menos tempo, apresentaram menor nível de ativação e perderam parte da capacidade de preparar as células T para reconhecer e atacar os tumores.

Na etapa seguinte, os cientistas testaram o efeito oposto. Camundongos com melanoma receberam aplicações diárias de creatina. O tratamento reduziu significativamente o crescimento dos tumores e aumentou tanto a quantidade quanto a atividade das células dendríticas presentes no ambiente tumoral.

As análises também mostraram que essas células passaram a liberar maiores quantidades de moléculas sinalizadoras capazes de atrair outras células de defesa para o tumor, reforçando a resposta imunológica.

Descoberta pode aumentar a eficácia da imunoterapia

Grande parte das imunoterapias atuais busca estimular as células T citotóxicas para combater o câncer. No entanto, apenas cerca de 20% a 40% dos pacientes apresentam benefícios significativos com esse tipo de tratamento.

Segundo os pesquisadores, fortalecer a atuação das células dendríticas pode potencializar toda a resposta imunológica e aumentar a eficácia dessas terapias.

Além disso, os experimentos mostraram que a creatina também elevou a ativação de células dendríticas humanas utilizadas no desenvolvimento de vacinas experimentais contra o câncer, indicando uma possível aplicação futura na produção dessas terapias.

Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que a pesquisa ainda está em fase pré-clínica. Os experimentos foram realizados apenas em modelos animais e em células humanas cultivadas em laboratório. Portanto, ainda não existem evidências de que a suplementação com creatina melhore o tratamento do câncer em pessoas.

O próximo passo será realizar ensaios clínicos para verificar se o suplemento pode aumentar a eficácia da imunoterapia em pacientes.

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