Ciência

Gigantes de até 7 metros: quem eram os 'monstros' predadores da América do Sul

Estudo analisou fósseis de até 16 milhões de anos e identificou o papel dominante dos crocodilianos na cadeia alimentar

Crocodilianos: estudo indica que esses gigantes dominavam o topo da cadeia alimentar (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Crocodilianos: estudo indica que esses gigantes dominavam o topo da cadeia alimentar (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 16h53.

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Há entre 10,5 e 16 milhões de anos, a América do Sul abrigava um dos ecossistemas mais dominados por grandes predadores já registrados. Um novo estudo indica que os crocodilianos gigantes, e não mamíferos carnívoros ou as chamadas "aves do terror", ocupavam o topo da cadeia alimentar durante o Mioceno, caçando inclusive animais com mais de uma tonelada.

A pesquisa, publicada no Journal of Vertebrate Paleontology, foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Helsinque e analisou fósseis preservados em coleções de museus.

As evidências sugerem que espécies como Purussaurus neivensis, um parente dos jacarés atuais, exerciam papel central na regulação das populações de grandes herbívoros.

Marcas de mordida revelam quem dominava a cadeia alimentar

Durante o Mioceno, uma extensa área da América do Sul era ocupada por um grande sistema de lagos, habitado por tartarugas gigantes, crocodilianos e diversos outros animais. Nas margens desse ambiente viviam preguiças-gigantes, gliptodontes — parentes extintos dos tatus — e grandes ungulados, como astrapotérios e toxodontídeos, muitos deles pesando bem mais de uma tonelada.

Para descobrir quais predadores realmente dominavam esse ecossistema, os pesquisadores analisaram marcas de mordidas e dentes preservadas nos fósseis desses herbívoros. Segundo o estudo, esse tipo de vestígio representa a evidência direta mais confiável das interações entre predadores e presas no registro fóssil.

Purussaurus era o maior predador do ambiente

Entre os predadores identificados, o destaque foi o Purussaurus neivensis, um crocodiliano que podia atingir cerca de sete metros de comprimento e aproximadamente 1.800 quilos.

De acordo com os pesquisadores, a frequência das marcas atribuídas ao animal indica que ele era um dos principais predadores dos ecossistemas tropicais sul-americanos da época.

O pesquisador Oscar Wilson, da Universidade de Helsinque, afirma que a grande disponibilidade de presas sugere que os mamíferos carnívoros não seriam capazes de explorar sozinhos todos os recursos disponíveis. Segundo ele, os resultados mostram que os crocodilianos eram os predadores mais importantes da região, especialmente na captura de animais de grande porte.

Ecossistema reunia alguns dos maiores predadores da história da América do Sul

Além do Purussaurus, o ambiente reunia outros grandes predadores, como anacondas gigantes, mamíferos dente-de-sabre, aves do terror e os sebecídeos, parentes terrestres dos crocodilianos.

Os autores sugerem que o papel desempenhado pelos crocodilianos pode ter influenciado diretamente a estrutura desses ecossistemas, incluindo o tamanho das populações de grandes herbívoros que viviam às margens dos antigos lagos sul-americanos.

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