Ciência

Fóssil 'esquecido' por 40 anos revela primeiro dinossauro da Antártida

Achado ajuda pesquisadores a entender como gigantes pré-históricos ocuparam os continentes do sul

Titanossauro: vértebra esquecida por quatro décadas revelou a presença do grupo na Antártida (Freepik)

Titanossauro: vértebra esquecida por quatro décadas revelou a presença do grupo na Antártida (Freepik)

Publicado em 3 de julho de 2026 às 08h44.

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Um fóssil coletado durante uma expedição científica em 1985 permaneceu "esquecido" por quase quatro décadas até ser reavaliado por pesquisadores. A nova análise revelou que a peça, antes confundida com o osso de um grande réptil marinho, era na verdade o primeiro osso de dinossauro encontrado na Antártida.

A descoberta foi feita por pesquisadores do British Antarctic Survey (BAS) e do Museu de História Natural de Londres. O estudo foi publicado na revista científica Acta Palaeontologica Polonica.

Como um fóssil de dinossauro passou despercebido por 40 anos

O geólogo Mike Thomson encontrou o fóssil em 9 de dezembro de 1985, na ilha James Ross, na Península Antártica. Na época, o cientista registrou a peça como uma "vértebra de grande réptil" e estimou que ela tinha cerca de dez centímetros de largura.

Após a expedição, o material foi armazenado na coleção geológica do British Antarctic Survey, em Cambridge, onde permaneceu sem uma análise detalhada por quase 40 anos.

A redescoberta aconteceu quando o responsável pelo acervo, Mark Evans, revisava antigos espécimes e percebeu que o formato do osso era compatível com o de um dinossauro.

Nova análise revelou que o osso era de um titanossauro

Evans encaminhou o fóssil ao paleontólogo Paul Barrett, do Museu de História Natural de Londres. Segundo o pesquisador, a anatomia da peça apresentava características típicas dos titanossauros, grupo de dinossauros saurópodes herbívoros que reunia alguns dos maiores animais terrestres já existentes.

A equipe confirmou que o material corresponde a uma vértebra da cauda de um titanossauro. Embora o fragmento não permita identificar a espécie nem estimar o tamanho exato do animal, ele representa o primeiro osso de dinossauro encontrado na Antártida e apenas o segundo osso de saurópode conhecido no continente.

Antártida já foi uma floresta habitada por gigantes

Os pesquisadores estimam que o animal viveu há cerca de 70 milhões de anos, durante o Cretáceo Superior. Naquela época, a Antártida tinha um clima muito mais quente, era coberta por florestas com coníferas e ainda permanecia conectada ao extremo sul da América do Sul.

O fóssil foi encontrado em rochas marinhas ao lado de amonitas, animais marinhos já extintos. Segundo os autores, isso indica que o titanossauro provavelmente morreu em terra firme e teve seu corpo levado por um rio até o mar, onde acabou fossilizado.

Descoberta ajuda a explicar como os dinossauros se espalharam

Além de ampliar o registro fóssil da Antártida, a descoberta reforça uma hipótese sobre a dispersão dos titanossauros pelo hemisfério sul.

Segundo os pesquisadores, a Península Antártica pode ter funcionado como uma ponte terrestre entre a América do Sul e outras regiões, permitindo o deslocamento desses grandes herbívoros durante o fim da era dos dinossauros.

Atualmente, fósseis de titanossauros são abundantes na América do Sul, enquanto os registros na Nova Zelândia ainda são limitados e não há evidências confirmadas da presença desse grupo na Austrália.

Para os autores, a confirmação de um titanossauro na Antártida fortalece a hipótese de que esses animais utilizaram o continente como rota de dispersão entre massas de terra que, naquele período, ainda estavam conectadas.

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