Ciência

Fóssil de 518 milhões de anos explica a origem das presas das aranhas

Estruturas preservadas em uma pequena criatura marinha ajudam a reconstruir a evolução dos quelicerados, grupo que inclui aranhas, escorpiões e carrapatos

Urokodia: pequeno animal marinho preservou as evidências mais antigas conhecidas das estruturas que deram origem às presas das aranhas (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Urokodia: pequeno animal marinho preservou as evidências mais antigas conhecidas das estruturas que deram origem às presas das aranhas (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 8 de agosto de 2026 às 09h23.

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Um fóssil de 518 milhões de anos está ajudando cientistas a reconstruir a origem de uma das estruturas mais marcantes das aranhas: suas presas.

Pesquisadores identificaram em uma pequena criatura marinha, chamada Urokodia, a evidência mais antiga conhecida das quelíceras primitivas, apêndices que, ao longo da evolução, deram origem às presas utilizadas hoje por aranhas, escorpiões e carrapatos.

A descoberta foi realizada por cientistas da Universidade de Yunnan, na China, e da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Os resultados foram divulgados na revista Nature.

Como o fóssil revelou a origem das presas das aranhas

O Urokodia viveu durante o início do período Cambriano e media apenas entre dois e três centímetros de comprimento. Embora tivesse aparência muito diferente da das aranhas atuais, os cientistas encontraram nele estruturas consideradas ancestrais das quelíceras.

Os fósseis foram encontrados no sítio fossilífero de Chengjiang, no sul da China, conhecido pela preservação excepcional de organismos que viveram há mais de 500 milhões de anos.

Para analisar o exemplar, a equipe utilizou tomografia por raios X, técnica que permitiu observar tecidos moles preservados dentro da rocha. As imagens revelaram dois pequenos apêndices em forma de pinça posicionados logo atrás dos olhos do animal.

Segundo os pesquisadores, essas estruturas representam a forma mais antiga conhecida das quelíceras, que atualmente funcionam como presas ou pinças em diferentes grupos de quelicerados.

O que são as quelíceras

As aranhas pertencem ao grupo dos quelicerados, que também inclui escorpiões, carrapatos e caranguejos-ferradura. Todos compartilham um par de apêndices especializados na parte frontal do corpo.

Dependendo da espécie, essas estruturas podem servir para agarrar, perfurar ou imobilizar presas. Nas aranhas, elas evoluíram para as presas responsáveis por inocular veneno durante a captura do alimento.

O estudo indica que a origem dessas estruturas surgiu centenas de milhões de anos antes do aparecimento das aranhas modernas.

Fóssil também preservou outras características raras

Além das quelíceras primitivas, o fóssil preservou detalhes das pernas que podem representar brânquias foliáceas, estruturas respiratórias utilizadas por animais aquáticos.

Os pesquisadores destacam que formas semelhantes ainda podem ser observadas em quelicerados marinhos atuais, como os caranguejos-ferradura, reforçando a ligação evolutiva entre esses animais.

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