Eclipse: Lua ficará avermelhada durante o eclipse lunar quase total visível no Brasil (George Pachantouris/Getty Images)
Redatora
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 13h10.
Agosto reserva dois dos principais eventos astronômicos de 2026. Nos próximos dias, o céu será palco de um eclipse solar total e de um eclipse lunar quase total, fenômenos que poderão ser acompanhados em diferentes regiões do planeta.
Enquanto o eclipse do Sol será observado apenas em uma faixa do hemisfério norte, o eclipse da Lua poderá ser visto de todo o território brasileiro, desde que as condições do tempo permitam.
Os dois fenômenos acontecem com poucos dias de diferença e não exigem equipamentos sofisticados para serem apreciados — embora o eclipse solar demande cuidados especiais para proteger a visão.
Durante esse período, cerca de 95% da Lua ficará mergulhada na sombra da Terra, fazendo com que o satélite adquira a conhecida tonalidade avermelhada.
A astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, explicou à Agência Brasil que o eclipse acontece quando Sol, Terra e Lua ficam alinhados e o satélite atravessa a sombra projetada pelo nosso planeta.
Antes disso, em 12 de agosto, ocorrerá um eclipse solar total. O fenômeno será visível em sua totalidade em países como Portugal, Espanha, Islândia, Groenlândia e Rússia, além de aparecer de forma parcial em outras regiões do hemisfério norte e do norte da África.
Durante o eclipse, a Lua passa exatamente entre a Terra e o Sol, bloqueando completamente sua luz para quem está na estreita faixa atingida pela sombra lunar.
Segundo a especialista, essa região costuma ter aproximadamente 300 quilômetros de largura, o que explica por que o eclipse total é observado apenas em uma pequena parte do planeta.O eclipse lunar pode ser observado sem qualquer proteção especial. Basta procurar um local com céu aberto, pouca iluminação artificial e boas condições de visibilidade.
Já o eclipse solar exige equipamentos adequados. A observação direta do Sol deve ser feita apenas com óculos certificados pela norma ISO 12312-2 ou com máscaras de soldador equipadas com vidro número 14.Olhar para o Sol sem esse tipo de proteção pode causar danos permanentes à retina e até provocar perda da visão.
Apesar de o Sol ser cerca de 400 vezes maior que a Lua, ele também está aproximadamente 400 vezes mais distante da Terra. Essa coincidência faz com que ambos aparentem praticamente o mesmo tamanho quando vistos do nosso planeta.
Quando o alinhamento ocorre de forma precisa durante a Lua Nova, o satélite consegue ocultar completamente o disco solar para os observadores posicionados na trajetória de sua sombra.
Fora dessa faixa, o fenômeno pode ser visto apenas de forma parcial ou, em alguns casos, como um eclipse anular.
O eclipse lunar sempre acontece durante a Lua Cheia e pode ser classificado como total, parcial ou penumbral, dependendo da posição do satélite em relação às diferentes regiões da sombra da Terra.
No evento deste mês, a Lua não atravessará completamente a parte mais escura dessa sombra, chamada umbra. Mesmo assim, ficará suficientemente próxima para adquirir uma coloração avermelhada bastante intensa.
Segundo a astrônoma, esse efeito ocorre porque parte da luz do Sol atravessa a atmosfera terrestre antes de alcançar a superfície lunar. A atmosfera filtra os comprimentos de onda mais curtos e desvia principalmente a luz avermelhada, que acaba iluminando a Lua mesmo durante o eclipse.