Eclipse de 2027 será o mais longo em áreas terrestres em décadas e só será superado por outro fenômeno previsto para 211 (George Pachantouris/Getty Images)
Repórter
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 11h05.
Em 2 de agosto de 2027, um eclipse solar total poderá provocar até 6 minutos e 23 segundos de escuridão em regiões da Europa, África e Oriente Médio, em um dos fenômenos do tipo mais longos previstos para este século.
O evento, chamado de “eclipse do século”, terá uma faixa de totalidade que passará por áreas terrestres e poderá atrair visitantes para locais situados no caminho da sombra da Lua.
A duração colocará o fenômeno na segunda posição entre os eclipses solares totais mais longos do século XXI. O primeiro lugar pertence ao evento de julho de 2009, quando a totalidade alcançou 6 minutos e 39 segundos. Naquele caso, porém, o ponto de duração máxima ficou sobre o Oceano Pacífico.
Em 2027, a situação será diferente porque parte da trajetória cruzará áreas continentais. Em determinados locais, será possível acompanhar mais de seis minutos de totalidade, período em que a Lua encobrirá completamente o disco solar. Um eclipse com duração superior só está previsto para junho de 2114, quando a totalidade deverá chegar a 6 minutos e 32 segundos.
A faixa de totalidade, região onde o Sol ficará completamente coberto pela Lua, terá cerca de 258 quilômetros de largura. O percurso começará pelo sul da Espanha e atravessará áreas de Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Arábia Saudita, Iêmen e Somália.
Entre os locais situados na trajetória está Luxor, no sul do Egito. A cidade, localizada às margens do Rio Nilo e próxima ao Vale dos Reis, ficará perto do ponto de duração máxima do eclipse.
Nas proximidades de Luxor, a fase de totalidade deverá chegar perto dos 6 minutos e 23 segundos previstos para o ponto máximo do fenômeno. A duração colocou a região entre os destinos procurados por pessoas que planejam acompanhar o eclipse.
Outras cidades também terão períodos próximos de seis minutos. Benghazi, na Líbia, deverá permanecer por mais de seis minutos sob a sombra lunar. Em Jeddah, na Arábia Saudita, a duração ficará próxima desse intervalo. Áreas do sul da Espanha e do norte do Marrocos também estarão dentro da faixa de totalidade.
A procura por hospedagem e excursões para a data já começou em algumas dessas regiões, segundo levantamentos citados pela imprensa internacional. O movimento ocorre principalmente em destinos do Egito localizados no caminho previsto para a sombra da Lua.
O eclipse solar ocorre quando a Lua passa entre a Terra e o Sol. Para quem está dentro da faixa de totalidade, o satélite encobre todo o disco solar durante alguns minutos.
A duração de cada evento depende da posição e da distância entre os três corpos celestes. Em agosto de 2027, diferentes condições orbitais contribuirão para que a sombra lunar permaneça por mais tempo sobre determinadas regiões da Terra.
Poucas horas antes do eclipse, a Lua estará próxima do perigeu, ponto de sua órbita em que alcança uma das menores distâncias em relação à Terra. Nessa posição, seu tamanho aparente no céu será maior.
A Terra estará relativamente próxima do afélio, período de sua órbita em que fica mais distante do Sol. Com essa distância, o tamanho aparente do disco solar será menor para um observador terrestre.
Outro fator será a passagem da sombra por latitudes baixas. Nessas regiões, a rotação terrestre contribui para aumentar o período durante o qual determinados pontos permanecem dentro da sombra projetada pela Lua.
O eclipse solar de 2 de agosto de 2027 não será visível do Brasil, já que sua trajetória passará distante do território brasileiro. Meses antes, porém, outro fenômeno poderá ser acompanhado no país.
Em 6 de fevereiro de 2027, ocorrerá um eclipse solar anular, fenômeno no qual a Lua passa diante do Sol, mas não encobre todo o disco solar. O evento poderá ser observado como eclipse parcial em uma área maior do Brasil.
Para observar um eclipse solar, é necessário utilizar óculos específicos para esse tipo de fenômeno durante as fases em que alguma parte do Sol permanece visível.
Durante um eclipse total, a observação direta sem proteção só é possível no intervalo de totalidade, quando o disco solar está completamente coberto pela Lua. A proteção deve voltar a ser utilizada assim que qualquer parte do Sol reaparecer.
Óculos de sol convencionais, chapas de raio-X e filtros improvisados não oferecem a proteção necessária para observar diretamente o Sol.
Durante a totalidade, observadores situados dentro da trajetória poderão visualizar a coroa solar, camada externa da atmosfera do Sol que normalmente não pode ser vista a olho nu por causa da luminosidade do disco solar.