Ciência

Dieta é associada a envelhecimento cerebral 2,5 anos mais lento; veja o que comer

Maior adesão ao padrão MIND foi relacionada a uma perda mais lenta de massa cinzenta ao longo de 12 anos de acompanhamento

Cérebro: estudo acompanhou mudanças na estrutura cerebral ao longo de cerca de 12 anos (Freepik)

Cérebro: estudo acompanhou mudanças na estrutura cerebral ao longo de cerca de 12 anos (Freepik)

Publicado em 2 de outubro de 2026 às 11h41.

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Um padrão alimentar conhecido como dieta MIND foi associado a uma perda mais lenta de tecido cerebral durante o envelhecimento, segundo uma pesquisa publicada no Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry, periódico do BMJ Group.

Segundo os pesquisadores, a diferença observada correspondeu a cerca de 20% menos declínio da massa cinzenta relacionado à idade, o equivalente a aproximadamente 2,5 anos de atraso no envelhecimento cerebral.

Para chegar a essas conclusões, o estudo acompanhou 1.647 adultos de meia-idade e idosos e encontrou uma relação entre maior adesão à dieta MIND e menor perda de massa cinzenta ao longo dos anos.

O que é a dieta MIND?

MIND é a sigla em inglês para Mediterranean-DASH Intervention for Neurodegenerative Delay. O padrão alimentar combina características da dieta mediterrânea com a DASH, desenvolvida para ajudar no controle da pressão arterial.

Entre os alimentos priorizados estão vegetais de folhas verdes, outros vegetais, frutas vermelhas, nozes, grãos integrais, peixes, feijão, azeite e aves. O plano também inclui consumo moderado de vinho.

Em contrapartida, recomenda limitar manteiga e margarina, queijo, carne vermelha, doces, frituras e fast food.

Estudos anteriores já haviam associado esse padrão alimentar à saúde cognitiva. A nova pesquisa investigou especificamente sua relação com mudanças na estrutura do cérebro ao longo dos anos.

Como os pesquisadores acompanharam o cérebro?

Os pesquisadores analisaram dados de 1.647 participantes do Framingham Heart Study Offspring. A idade média era de 60 anos no início da pesquisa.

A alimentação foi avaliada por questionários preenchidos em diferentes períodos entre 1991 e 2001. Cada participante também realizou pelo menos duas ressonâncias magnéticas cerebrais entre 1999 e 2019.

Na primeira ressonância, nenhum apresentava evidências de acidente vascular cerebral (AVC) ou demência. Durante um acompanhamento médio de 12 anos, os exames registraram mudanças esperadas com a idade, incluindo redução dos volumes do cérebro, da massa cinzenta, da substância branca e do hipocampo.

Dieta foi associada a perda mais lenta de massa cinzenta

A adesão à dieta MIND foi calculada em uma escala de até 15 pontos. Quanto maior a pontuação, maior a adesão ao padrão alimentar. Cada aumento de três pontos foi associado a uma perda de massa cinzenta 0,279 cm³ por ano mais lenta.

Segundo os autores, essa diferença representa cerca de 20% menos declínio relacionado à idade e equivale a aproximadamente 2,5 anos de atraso no envelhecimento cerebral.

A pontuação mais alta também foi associada a uma expansão mais lenta dos ventrículos cerebrais, espaços preenchidos por líquido que tendem a aumentar à medida que o tecido cerebral diminui. Nesse caso, a diferença correspondeu a aproximadamente um ano de atraso nas mudanças relacionadas à idade.

Quais alimentos mais se destacaram?

O maior consumo de frutas vermelhas foi associado a um aumento mais lento do volume dos ventrículos. As aves foram relacionadas tanto à expansão ventricular mais lenta quanto à menor perda de massa cinzenta.

Já o maior consumo de doces foi associado à expansão mais rápida dos ventrículos e à maior atrofia do hipocampo, região importante para a memória. Frituras e fast food também foram relacionados a uma redução maior do volume do hipocampo.

Alguns resultados foram inesperados. O maior consumo de grãos integrais foi associado a alterações desfavoráveis, enquanto o queijo apresentou associações favoráveis em determinadas medidas.

De acordo com os autores, esses resultados isolados não permitem concluir que aumentar ou reduzir o consumo desses alimentos seja responsável pelas alterações observadas.

O que os pesquisadores ainda precisam descobrir?

As associações com a dieta MIND foram mais fortes entre participantes mais velhos, pessoas fisicamente mais ativas e aquelas sem sobrepeso ou obesidade. Diante disso, os pesquisadores ressaltam que o estudo não permite estabelecer uma relação de causa e efeito.

A alimentação foi registrada por questionários, que dependem da memória dos participantes. Mudanças na dieta ao longo dos anos e fatores genéticos também podem ter influenciado os resultados.

Além disso, a maioria dos participantes era branca, o que limita a generalização dos achados para outras populações. Dessa forma, novos estudos são necessários para determinar se o padrão alimentar é diretamente responsável pelas diferenças observadas.

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