Demência: pesquisadores identificaram fatores de saúde associados a mais anos de vida sem declínio cognitivo (Freepik)
Redatora
Publicado em 9 de agosto de 2026 às 09h42.
A forma como a saúde é cuidada entre os 45 e os 65 anos pode influenciar diretamente quando os primeiros sinais de demência aparecem. Um estudo que acompanhou mais de 12 mil adultos durante cerca de 26 anos identificou três fatores presentes na meia-idade que estão associados a um intervalo significativamente maior de vida sem a doença.
A pesquisa, conduzida por cientistas da NYU Langone Health e publicada na revista Neurology, analisou a relação entre fatores de risco cardiovasculares e o desenvolvimento da demência ao longo do envelhecimento.
Os resultados indicam que pessoas que mantiveram determinados indicadores de saúde sob controle passaram, em média, muito mais tempo sem apresentar declínio cognitivo.
Os pesquisadores utilizaram dados do estudo Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC), iniciado em 1986 nos Estados Unidos, para acompanhar 12.409 participantes, com idade média de 56 anos e sem diagnóstico de demência no início da pesquisa.
Ao longo de aproximadamente 26 anos, os cientistas avaliaram três fatores de risco modificáveis na meia-idade:
Já os participantes com um fator de risco permaneceram, em média, 26,3 anos livres da doença. Entre aqueles com dois fatores, esse período caiu para 21 anos, enquanto os indivíduos que apresentavam hipertensão, diabetes tipo 2 e fumavam viveram pouco mais de 17 anos sem demência. Na prática, a diferença entre os extremos chegou a quase 13 anos.
Segundo os autores, hipertensão, diabetes tipo 2 e tabagismo costumam surgir na meia-idade e podem provocar alterações nos vasos sanguíneos que comprometem a circulação cerebral ao longo dos anos, favorecendo processos ligados à neurodegeneração.
Para a equipe, evitar ou controlar esses fatores de risco entre os 45 e os 65 anos pode contribuir para preservar a saúde cerebral por mais de uma década.
O estudo também identificou diferenças entre os grupos analisados. Independentemente da quantidade de fatores de risco, as mulheres viveram mais anos sem desenvolver demência do que os homens.
Além disso, os participantes brancos apresentaram, em média, mais anos livres da doença do que os participantes negros.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que o trabalho apenas identificou essa associação na população estudada, sem investigar as causas dessas diferenças.
Especialistas estimam que o número de pessoas vivendo com demência no mundo poderá chegar a 153 milhões até 2050. Pesquisas anteriores já indicavam que uma parcela significativa dos casos pode ser adiada ao reduzir fatores de risco modificáveis ao longo da vida.
Para Jacqui Hanley, da Alzheimer's Research UK, que não participou da pesquisa, o estudo reforça uma mensagem importante: cuidar da saúde do coração também ajuda a proteger o cérebro.