Ciência

Dente de criança e pedras verdes revelam mistério de 5.500 anos

Descoberta em uma caverna dos Pirenéus sugere mineração de cobre e possíveis sepultamentos pré-históricos

Arqueologia: fragmentos de malaquita encontrados na caverna podem indicar atividades de mineração há cerca de 5.500 anos (Maria D. Guillén / IPHES-CERCA)

Arqueologia: fragmentos de malaquita encontrados na caverna podem indicar atividades de mineração há cerca de 5.500 anos (Maria D. Guillén / IPHES-CERCA)

Publicado em 13 de junho de 2026 às 08h48.

Uma caverna localizada a mais de 2.235 metros de altitude nos Pirenéus orientais está ajudando arqueólogos a desvendar um mistério de milênios. No local, pesquisadores encontraram dezenas de lareiras pré-históricas, fragmentos de um mineral verde rico em cobre e restos humanos que podem indicar a presença de antigos sepultamentos.

O estudo, publicado na revista científica Frontiers in Environmental Archaeology, sugere que a chamada Cova 338 foi utilizada repetidamente por comunidades pré-históricas entre cerca de 5.500 e 3.000 anos atrás. A descoberta também reforça a hipótese de que a caverna tenha funcionado como um dos mais antigos acampamentos de mineração de cobre em alta altitude já identificados na Europa.

O que os pesquisadores descobriram

A equipe de arqueólogos escavou uma área próxima à entrada da caverna e identificou diferentes camadas de ocupação humana.

Nas camadas mais antigas, os pesquisadores encontraram 23 estruturas de combustão contendo centenas de fragmentos de um mineral verde que apresenta características semelhantes às da malaquita, um minério rico em cobre utilizado na produção do metal.

Segundo os autores, muitos desses fragmentos apresentam sinais de exposição ao fogo, enquanto outros materiais encontrados no mesmo ambiente não sofreram alterações térmicas. Isso sugere que o aquecimento do mineral pode ter ocorrido de forma intencional.

As análises ainda estão em andamento para confirmar a composição exata das pedras, mas os resultados preliminares indicam uma possível atividade de processamento de cobre milhares de anos antes do surgimento de tecnologias mais avançadas de mineração.

Dente de criança aumenta o mistério da caverna

Além dos vestígios relacionados ao cobre, os arqueólogos encontraram um dente de leite e um osso de dedo pertencentes a pelo menos uma criança de aproximadamente 11 anos.

Os pesquisadores ainda não sabem se os dois fragmentos pertenciam ao mesmo indivíduo nem em que circunstâncias chegaram à caverna. No entanto, a descoberta levanta a possibilidade de que o local tenha sido utilizado para práticas funerárias.

Como as escavações ainda não atingiram as camadas mais profundas do sítio arqueológico, a equipe acredita que novos vestígios humanos podem ser encontrados nos próximos anos.

Pingentes raros ajudam a reconstruir a vida pré-histórica

Entre os objetos recuperados também estavam dois pingentes pré-históricos: um feito de concha e outro confeccionado a partir de um dente de urso-pardo.

Segundo os pesquisadores, o pingente de concha apresenta semelhanças com artefatos encontrados em outros sítios arqueológicos da Catalunha, o que pode indicar conexões culturais entre diferentes comunidades da região.

Já o adorno produzido com dente de urso é considerado mais incomum e pode ter tido um significado simbólico relacionado ao ambiente montanhoso onde a caverna está localizada.

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