Ciência

Cientistas usam 'DNA invisível' para detectar vida 'minúscula'

Fragmentos genéticos flutuando atmosfera permitem identificar espécies raras, monitorar a saúde de florestas e até rastrear pessoas; entenda

Genes: estudo com gêmeos indica que genética pode influenciar até 98% dos resultados de vida

Genes: estudo com gêmeos indica que genética pode influenciar até 98% dos resultados de vida

Publicado em 15 de abril de 2026 às 12h08.

O material genético presente no ar, conhecido como DNA ambiental (eDNA), está sendo usado por cientistas para mapear biodiversidade, monitorar espécies e identificar riscos ambientais. As informações foram publicadas na revista científica Nature.

A técnica analisa fragmentos liberados por seres vivos no ambiente e avançou na última década. Estudos indicam que o método amplia a leitura de ecossistemas ao permitir a identificação de organismos não detectados por observação direta.

O que é o DNA ambiental no ar?

Esse material é formado por partículas liberadas por organismos, como pele, cabelo, respiração, fezes, pólen, esporos e microrganismos.

Os fragmentos podem permanecer suspensos por dias, geralmente juntos de poeira. O transporte ocorre por distâncias que variam de poucos metros a milhares de quilômetros.

A coleta desse tipo de material já era aplicada em água e solo, antes de ser adaptada para o ar. O uso da atmosfera como fonte de dados começou a ganhar espaço a partir da década de 2010.

Estudos iniciais identificaram vestígios de plantas, incluindo folhas, flores e pólen, em amostras de ar. Os resultados apontaram o potencial da técnica para analisar comunidades biológicas completas.

Técnica permite identificar espécies invisíveis

A análise do DNA no ar permite detectar:

  • espécies animais e vegetais
  • microrganismos
  • patógenos
  • material genético humano

Pesquisas conduzidas por cientistas da University of York e do University College London detectaram material genético animal em amostras coletadas em um zoológico no Reino Unido.

Com base nessas análises, foram identificadas 25 espécies, incluindo animais mantidos no local, espécies selvagens e itens da alimentação. Fragmentos de tigres foram detectados a até 200 metros de distância.

Outro levantamento identificou mais de 1.100 táxons em diferentes regiões, incluindo organismos microscópicos e espécies de baixa visibilidade.

Método ajuda a reconstruir a biodiversidade

Redes de coleta atmosférica permitiram analisar mudanças ao longo de décadas. Filtros armazenados por até 70 anos foram usados para estudar variações em espécies.

Os dados mostram alterações associadas ao clima, ao uso do solo e a ciclos sazonais na abundância de organismos.

A abordagem também é usada para:

  • monitorar ecossistemas,
  • detectar invasores,
  • identificar patógenos,
  • acompanhar mudanças ambientais.

Pesquisas testam ainda o uso do método para identificar doenças em plantações antes de sinais visíveis e para detectar possíveis ameaças biológicas.

Limitações e desafios

Apesar dos avanços, ainda há incertezas sobre o comportamento desse material na atmosfera. Cientistas investigam como ele é transportado, quanto tempo permanece no ambiente e qual é sua origem.

Casos de detecção em regiões distantes indicam que o transporte pelo vento pode influenciar a interpretação dos resultados.

Questões éticas envolvendo dados humanos

Parte do material coletado é de origem humana. Estudos indicam que é possível identificar ancestralidade e características genéticas a partir dessas amostras.

Diante disso, pesquisadores discutem limites éticos para o uso da técnica, especialmente em relação à identificação de indivíduos em espaços públicos.

Há propostas para restringir estudos desse tipo até a definição de regras globais. A tecnologia vem sendo estudada para aplicação em conservação ambiental, agricultura, saúde pública e perícia científica.

A análise do DNA no ar pode ampliar o monitoramento de ecossistemas, identificar espécies e apoiar estudos sobre mudanças ambientais.

Acompanhe tudo sobre:DNAPesquisas científicas

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