Turistas lotam as escadarias e o mirante do Park Güell, em Barcelona, projeto do arquiteto Antoni Gaudí e um dos pontos mais visitados da cidade (Eduard Pretsi/Unsplash)
Jonalista colaborador
Publicado em 22 de julho de 2026 às 06h22.
O verão europeu voltou a expor um problema que já se tornou rotina em várias cidades do continente. Ruas lotadas, filas para chegar a mirantes e bairros residenciais tomados por turistas fizeram parte de um alerta emitido pelo World Travel & Tourism Council no ano passado. Diante do cenário, destinos historicamente populares começaram a testar políticas mais duras para conter o fluxo de visitantes.
O relatório Travel Green List, da revista Wanderlust, reúne parte dessas iniciativas e mostra como cidades europeias têm reformulado suas regras para turistas. Segundo o levantamento, cerca de 80% dos turistas do mundo se concentram em apenas 10% dos destinos disponíveis, o que agrava a pressão sobre serviços públicos, moradia e mobilidade nessas localidades. O número de viagens internacionais também cresceu 5% no último ano, ultrapassando a marca de 1,1 bilhão de deslocamentos.
Em Barcelona, protestos de moradores contra o aumento do custo de vida levaram a prefeitura a anunciar um plano para banir todos os aluguéis de curta duração até 2028. A medida deve cancelar as licenças de mais de 10 mil imóveis usados para hospedagem via plataformas como o Airbnb. A justificativa da gestão municipal está ligada à alta de 68% nos valores de aluguel na cidade, atribuída em parte à pressão do mercado turístico sobre o setor imobiliário.
Um barco de passeio turístico é visto em um canal durante o cotidiano de Amsterdã, na Holanda. A cidade atrai turistas com seus prédios históricos e os canais que cortam a cidade (Esra Hacioglu Karakaya/Anadolu/Getty Images)
Amsterdã já havia lançado, em 2023, uma campanha pedindo que turistas com comportamento problemático evitassem a cidade. Agora a prefeitura avança para outras frentes. Um congelamento na abertura de novos hotéis passou a valer, permitindo a inauguração de um estabelecimento apenas quando outro fecha as portas. A cidade também impôs um limite de 100 atracações de navios de cruzeiro por ano e passou a cobrar uma taxa de 15 euros dos visitantes que ficam apenas um dia na cidade. A meta declarada pela administração local é retirar os cruzeiros do centro histórico até 2035.
A Blue Lagoon, na ilha de Comino, em Malta, agora funciona com sistema de reservas para controlar o número de visitantes na praia (Wikimedia Commons)
Em Malta, a Blue Lagoon, na ilha de Comino, ficou conhecida por longas filas e superlotação nos últimos anos. Para reduzir a aglomeração, as autoridades passaram a exigir reserva prévia para acessar a praia, dividida em horários da manhã, tarde e noite, com limite de 4 mil pessoas por período. Segundo os dados citados no levantamento, o número máximo de visitantes simultâneos caiu de 12 mil para 3.830 desde a implementação do sistema.
A lista da Wanderlust também cita Dubrovnik, na Croácia, e Santorini, na Grécia, como destinos que adotaram medidas específicas para lidar com o excesso de visitantes, embora o relatório não detalhe as ações tomadas nessas duas cidades. Já Barcelona, Amsterdã e o complexo da Blue Lagoon, em Malta, aparecem como os casos mais documentados de intervenção direta sobre o fluxo turístico.
O documento da Wanderlust reforça que essas mudanças fazem parte de uma tendência mais ampla entre destinos europeus, que buscam equilibrar a atividade turística com a qualidade de vida da população local e a preservação de espaços públicos e naturais.