Abelhas: ciência descobre 5,5 milhões de abelhas escondidas em cemitério de Nova York (Pixabay/Reprodução)
Redatora
Publicado em 17 de abril de 2026 às 12h18.
Uma população estimada em cerca de 5,5 milhões de abelhas foi identificada sob o solo de um cemitério na cidade de Ithaca, em Nova York, nos Estados Unidos. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade Cornell e publicada na revista Apidologie.
A concentração envolve a espécie Andrena regularis, conhecida por hábitos solitários. Mesmo sem formar colmeias, os insetos atingiram uma densidade incomum em uma área de aproximadamente 6 mil metros quadrados.
Diferentemente de abelhas sociais, que vivem em colônias organizadas, a Andrena regularis constrói ninhos individuais no solo. Ainda assim, milhões de indivíduos ocuparam o mesmo espaço subterrâneo, formando uma das maiores agregações já documentadas.
A estimativa foi feita a partir de coletas realizadas ao longo de seis semanas, em 2023. Os pesquisadores utilizaram armadilhas para capturar os insetos à medida que emergiam do solo, reunindo mais de 3 mil exemplares de diferentes espécies. A grande maioria pertencia à mesma espécie.
Com base na densidade observada, a população total foi calculada entre 3 e 8 milhões de indivíduos, com média de 5,5 milhões.
A presença em grande escala está relacionada às condições do local. O solo pouco perturbado, a ausência de pesticidas e a estabilidade ao longo do tempo criam um ambiente favorável para a espécie.
No cemitério East Lawn, fatores adicionais contribuem para esse cenário. O solo arenoso facilita a escavação dos ninhos, enquanto a proximidade de pomares fornece alimento durante a primavera.
Registros históricos indicam que a espécie está presente na região desde o início do século XX, o que sugere que a população se desenvolveu gradualmente ao longo de décadas.
A espécie apresenta características que aumentam sua eficiência como polinizadora. O ciclo de vida é sincronizado com a floração de árvores frutíferas, o que favorece a reprodução das plantas.
Abelhas que fazem ninhos no solo desempenham papel importante na polinização, embora muitas vezes passem despercebidas. Esse grupo contribui diretamente para a produção agrícola, principalmente em culturas de alto valor.
O estudo também destaca o papel de cemitérios como áreas de preservação em ambientes urbanos. Esses espaços funcionam como refúgios para diferentes espécies, em razão da menor interferência humana.
Além das abelhas, o local abriga aves, raposas e cervos, indicando um ecossistema equilibrado em meio à área urbana.
Pesquisadores alertam que a preservação dessas áreas é fundamental. Alterações no ambiente, como pavimentação ou uso de produtos químicos, podem comprometer rapidamente populações inteiras.
A descoberta reforça a importância de identificar e proteger habitats que, embora discretos, sustentam grande diversidade biológica.