Lagartos-das-paredes: variante 'Hulk' é maior, mais agressivo e está eliminando variações de cor que existiam há milhões de anos (Roberto García Roa/Science)
Redatora
Publicado em 27 de abril de 2026 às 13h08.
Última atualização em 27 de abril de 2026 às 23h30.
Uma variante agressiva de lagartos-das-paredes está alterando um sistema evolutivo que permaneceu estável por milhões de anos. O avanço desses indivíduos tem levado ao desaparecimento de diferentes variações de cor dentro da mesma espécie, modificando a dinâmica de sobrevivência.
Os dados do estudo, publicado na revista Science, indicam que lagartos maiores e mais agressivos estão dominando populações e reduzindo a diversidade evolutiva que existia há longo tempo.
Os lagartos-das-paredes (Podarcis muralis), encontrados em grande parte do Mediterrâneo, apresentam três variações principais de cor na garganta: branca, amarela e laranja. Essas diferenças não são apenas visuais, mas representam estratégias distintas de sobrevivência dentro da mesma espécie.
Durante milhões de anos, essas variações coexistiram em equilíbrio, mantendo um sistema estável dentro das populações. Segundo o estudo, essa estabilidade começou a se desfazer com a expansão de uma nova variante.
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Lund, identificou uma variante verde-escura, descrita como maior e mais agressiva, que passou a alterar a dinâmica entre os indivíduos. Esses lagartos, informalmente chamados de "Hulk" pelos pesquisadores, têm maior capacidade de dominar território e competir com outras variações.
Com essa vantagem, a nova variante tem se espalhado rapidamente entre diferentes populações, mudando o padrão de convivência que antes permitia a coexistência de múltiplas estratégias.
Os pesquisadores analisaram cerca de 240 populações, totalizando mais de 10 mil lagartos. A partir desses dados, foi possível observar mudanças consistentes na distribuição das variações de cor.
À medida que a variante dominante avança, as formas de garganta amarela e laranja estão desaparecendo em diversas regiões. Em muitos locais, apenas a variação branca permanece presente.
O professor de biologia evolutiva da Universidade de Lund, Tobias Uller, afirmou que o comportamento agressivo interfere diretamente nos sistemas sociais que mantinham o equilíbrio entre as diferentes estratégias dentro da espécie.
Com isso, os resultados indicam que o comportamento de uma única variante pode modificar a forma como os indivíduos competem por recursos e território. Esse tipo de mudança afeta diretamente a sobrevivência das demais variações.