Celular: conexões USB também podem permitir transferência de dados, além do carregamento (Freepik)
Redatora
Publicado em 28 de agosto de 2026 às 14h42.
A simples prática de conectar o celular a um carregador público pode expor o aparelho a riscos de segurança digital. O chamado juice jacking explora conexões USB para tentar acessar dados, instalar malware ou obter controle sobre determinadas funções do dispositivo.
A possibilidade foi demonstrada como prova de conceito em 2011. Desde então, Apple e Google adotaram mecanismos que dificultam conexões de dados não autorizadas entre celulares e equipamentos externos.
Uma porta USB pode ser usada tanto para fornecer energia quanto para transferir dados. Essa segunda função é justamente a que pode ser explorada em um eventual ataque cibernético.
Um cabo ou carregador adulterado pode tentar estabelecer uma conexão com o celular e explorar falhas de segurança. Dependendo da vulnerabilidade, isso pode permitir roubo de arquivos, instalação de programas maliciosos ou acesso a informações armazenadas no aparelho.
Para dificultar esse tipo de ação, sistemas como iOS e Android passaram a exigir autorização do usuário em determinadas conexões de dados.
Durante anos, alertas sobre juice jacking circularam entre especialistas e autoridades de segurança digital. Porém, uma investigação publicada pela Ars Technica em 2023 não encontrou casos documentados de estações públicas comprometendo aparelhos modernos com iOS ou Android.
Na mesma ocasião, a Apple informou ao veículo que não tinha conhecimento de ataques desse tipo ocorrendo na prática.
A situação ganhou novos elementos com pesquisas sobre outras formas de exploração de conexões USB. Entre elas estão o video jacking e o ChoiceJacking, que procuram contornar mecanismos de proteção dos aparelhos.
O ChoiceJacking foi apresentado por pesquisadores da Graz University of Technology, na Áustria, em trabalho publicado no USENIX Security Symposium de 2025.
A equipe desenvolveu um equipamento capaz de simular determinadas interações do usuário. Com isso, os pesquisadores demonstraram maneiras de contornar mecanismos usados para pedir autorização antes da transferência de dados.
Nos testes, os pesquisadores identificaram vulnerabilidades em aparelhos de diferentes fabricantes. O trabalho foi apresentado como uma prova de conceito e os resultados foram comunicados às empresas envolvidas, na ocasião.
O juice jacking é apenas uma das ameaças relacionadas ao uso de dispositivos e conexões públicas.
Para usuários comuns, também existem riscos associados a redes Wi-Fi maliciosas, QR Codes falsos e cabos comprometidos. Esses recursos podem direcionar pessoas para páginas fraudulentas ou tentar obter acesso a informações e dispositivos.
Por isso, a segurança digital fora de casa não depende apenas do carregador utilizado.
Alguns cuidados simples ajudam a reduzir a exposição a conexões USB desconhecidas:
O juice jacking é tecnicamente possível, mas isso não significa que todo carregador público esteja comprometido. O risco depende de um equipamento adulterado e de uma vulnerabilidade que possa ser explorada.