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(Chance Yeh / Correspondente autônomo/Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 28 de agosto de 2026 às 14h30.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, saiu em defesa da imagem da empresa depois de meses sendo apontada como responsável por um período turbulento no mercado de software corporativo.
"Não temos interesse em destruir ninguém", disse Amodei à CNBC. "Pensamos nisso como algo de soma muito positiva."
A declaração foi feita ao lado do CEO da Salesforce, Marc Benioff, em um esforço conjunto para desfazer a percepção, em Wall Street, de que a Anthropic pretende avançar sobre todo o mercado de software como serviço (SaaS).
A desconfiança do mercado tem origem em um anúncio da própria Anthropic, no fim de janeiro, sobre plugins para o Claude Cowork — não algo vindo das chamadas "quatro cavaleiras" do software corporativo. O anúncio foi suficiente para provocar o que passou a ser chamado de "Saaspocalypse": em uma única semana, cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado foi apagado do setor de software.
Desde então, parte dessas empresas — entre elas a própria Salesforce — vem recuperando terreno.
Na quinta-feira, 27, as ações da Salesforce tiveram seu segundo melhor pregão da história, atrás apenas de uma alta registrada durante a pandemia de covid-19, segundo reportagem da CNBC.
Benioff, que já vinha descartando publicamente havia meses os temores de uma "Saaspocalypse", aproveitou a teleconferência de resultados do segundo trimestre da Salesforce para fazer uma espécie de vitória antecipada. O anúncio veio horas depois de a empresa revelar uma parceria ampliada com a Anthropic, batizada de "Claudeforce".
"Nossas licenças deveriam estar em declínio. Em vez disso, Agentforce Sales, Services e Slack registraram crescimento ano a ano", disse Benioff. "Disseram que os clientes nos abandonariam. Mas a taxa de cancelamento está perto do nível mais baixo de todos os tempos."
Segundo Amodei, a "Anthropic sempre quis gerar valor para seus clientes", e as duas empresas já são, mutuamente, grandes usuárias dos serviços uma da outra. "Essa combinação é uma forma de conseguir algo que é um mais um igual a três, algo maior que a soma das partes", disse o executivo. "E acho que essa é a forma certa de pensar sobre isso."
Nem todo mundo compra esse discurso conciliador. Críticos dos laboratórios de fronteira de inteligência artificial (IA), como o CEO da Palantir, Alex Karp, já defenderam publicamente que empresas devem se aproximar de companhias como a Anthropic com cautela — recomendando que mantenham controle sobre seu próprio "alpha" e propriedade intelectual. A Anthropic afirma que, por padrão, não usa entradas nem saídas de seus produtos comerciais para treinar seus modelos.
"Passei bastante tempo com o Dario e a equipe da Anthropic", disse Karp neste mês. "Eles querem te dizer que temos que marchar em direção a um futuro em que não somos donos de nada, em que nossos negócios não são lucrativos, em que nenhum de nós tem emprego, e em que nossos adversários vencem."
Questionado sobre a parceria com a Salesforce, Amodei afirmou que a Anthropic trabalha para garantir que as empresas não precisem escolher entre "dados, privacidade e segurança".