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Opinião: excesso de permissões é maior risco da segurança digital corporativa

O acúmulo de privilégios de acesso amplia o impacto de incidentes e transforma acessos legítimos em vetores críticos de exposição

A gestão rigorosa de identidades é essencial para a segurança da informação moderna (Royalty-free/Getty Images)

A gestão rigorosa de identidades é essencial para a segurança da informação moderna (Royalty-free/Getty Images)

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Publicado em 20 de abril de 2026 às 15h00.

Por Bruno Paiuca*

A arquitetura de segurança da informação atravessa um momento de virada. Se antes o foco estava em proteger fronteiras e fortalecer a autenticação de identidades, hoje o risco principal já não está nas credenciais comprometidas.

O perigo real reside nas permissões excessivas concedidas dentro das organizações. Em um contexto anterior, os investimentos e a governança concentraram-se na robustez das fronteiras e na validação da identidade.

Isso incluiu o uso de autenticação multifator, gerenciadores de credenciais e detecção de phishing. Esse modelo, no entanto, já não é suficiente para responder à complexidade dos ambientes atuais.

O Risco das Permissões Excessivas

Um levantamento da CyberArk revelou que 91% dos usuários fazem login com o nível mais alto de privilégio de acesso disponível. Isso resulta em acessos amplos e contínuos a sistemas sensíveis.

Na prática, o acesso irrestrito tornou-se o padrão, ampliando significativamente o impacto potencial de incidentes.

Já o relatório Google Cloud Threat Horizons aponta que mais de 62% das movimentações laterais em incidentes utilizam contas com permissões elevadas. Isso evidencia que a propagação de riscos depende diretamente da amplitude das permissões de cada identidade.

Vulnerabilidades em Ambientes de Nuvem

Outro ponto crítico aparece no relatório State of Cloud Security (2025–2026). O documento mostra como a má calibração de privilégios cria vulnerabilidades críticas em nuvens, como a AWS.

Nesse ambiente, 19,4% das workloads operam com permissões desnecessárias. Essas brechas permitem que 17,9% das instâncias acessem dados indevidamente.

Outras falhas facilitam o deslocamento lateral (3,8%) ou a elevação para níveis administrativos (2,4%), consolidando trajetórias de risco que comprometem toda a infraestrutura.

O Vetor de Risco das Credenciais Legítimas

Nesse cenário, a maior ameaça de um grande vazamento de dados não está na vulnerabilidade das senhas.

O risco está no excesso de privilégios de acesso concedidos a credenciais legítimas. Em um ecossistema com ampla liberdade, esse acesso pode se transformar rapidamente em um vetor de exposição grave.

Ambientes digitalizados possuem múltiplos pontos de interação. Serviços conversam entre si, aplicações compartilham dados e usuários transitam por sistemas. Sem restrição de permissões, esse fluxo vira um caminho aberto para incidentes.

A Necessidade de Modelos Dinâmicos

A segurança da informação deve ser compreendida como um sistema de controle contínuo. Muitas organizações ainda operam com modelos estáticos de concessão de acesso.

Neles, as permissões são atribuídas com base em funções iniciais e permanecem inalteradas, independentemente de mudanças de contexto ou necessidade operacional.

Sem mecanismos de revisão, torna-se difícil mapear quem acessa quais recursos. A ausência de governança transforma permissões em risco. É aqui que o princípio do menor privilégio se consolida.

O Princípio do Menor Privilégio

A aplicação exige disciplina: cada identidade deve operar com o mínimo de acesso necessário para cumprir sua função. Qualquer permissão adicional precisa ser temporária, justificada e monitorada.

A implementação não pode ser pontual. Ela deve incorporar revisões periódicas, análise de comportamento e ajustes dinâmicos para alinhar permissões à realidade operacional em tempo real.

Esse movimento redefine o papel das equipes de TI. Os profissionais deixam de atuar apenas na concessão e passam a exercer funções de governança e análise de privilégios de acesso.

Conclusão: Limites Bem Definidos

Soluções de gestão de identidade permitem mapear acessos e identificar excessos. Porém, sua eficácia depende de uma abordagem estruturada que trate permissões como o elemento central da arquitetura.

É necessário estabelecer mecanismos que garantam que cada identidade opere dentro de limites bem definidos e constantemente revisados.

Afinal, “a diferença entre um incidente contido e um grande vazamento pode ser simplesmente o nível de privilégio da primeira conta comprometida”.

*Bruno Paiuca é Fundador e CEO da Opsteam.

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