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Por que bilhões em segurança digital não freiam os ciberataques?

Brasil vai investir R$ 104 bi até 2028 em proteção, mas companhias ainda deixam portas abertas para ataques cibernéticos por falhas básicas

Especialista alerta que empresas brasileiras falham ao focar apenas no aumento do orçamento em TI (voronaman/Shutterstock)

Especialista alerta que empresas brasileiras falham ao focar apenas no aumento do orçamento em TI (voronaman/Shutterstock)

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Publicado em 8 de junho de 2026 às 15h00.

Por Paulo Lima*

Principalmente após o avanço tecnológico acelerado dos últimos anos, a segurança digital se tornou um dos principais pilares para a continuidade dos negócios.

Se antes era uma área isolada, distante das decisões estratégicas, hoje influência diretamente risco, operação e reputação das empresas.

Nesse contexto, a forma como os investimentos são aplicados é tão importante quanto o valor investido.

Quanto a isso, a questão que fica é: as companhias estão investindo nas áreas onde o risco realmente está?

O cenário dos aportes no Brasil

De acordo com os dados do Relatório de Cibersegurança 2025: Panorama e Insights da Brasscom o Brasil deve investir R$ 104,6 bilhões em cibersegurança até 2028, registrando um crescimento de 43,8% em relação ao período de 2021 a 2024.

O levantamento apresenta também que o país é reconhecido como uma referência global em cibersegurança, mas segue entre os principais alvos de ataques cibernéticos, com o phishing liderando as ocorrências.

Esse cenário revela uma contradição significativa: mesmo com alto investimento, as ameaças mais recorrentes estão relacionadas a falhas na gestão de acesso e proteção de identidade.

Diante disso, torna-se evidente a necessidade de não apenas ampliar investimentos, mas direcioná-los de forma estratégica para amenizar as principais vulnerabilidades.

A resposta do mercado e os focos de alocação

Nesse contexto, a resposta do mercado tem sido o fortalecimento das iniciativas voltadas à proteção digital.

Para reduzir a incidência dos ataques, as empresas têm intensificado suas aplicações em cibersegurança voltadas tanto à operação quanto à exposição de dados dos clientes.

Segundo dados da pesquisa "Antes da TI: A Estratégia" – edição 2026, feita pelo IT Forum Inteligência, os principais focos de investimentos dos CIOs brasileiros para os próximos doze meses são cibersegurança (74%) e gestão de dados (64%).

Sabemos que o avanço dos investimentos em segurança digital no Brasil está em curso, mas os números por si só não respondem à pergunta mais importante: para onde esse dinheiro está indo?

A própria Brasscom sintetiza bem o dilema ao classificar o Brasil como "early adopter, but late finisher", ou seja, adotamos tecnologias rapidamente, mas demoramos a consolidá-las de forma estratégica.

Decisão de negócio e resiliência

Investir mais em ferramentas enquanto credenciais comprometidas seguem sendo o principal vetor de invasão é, em outras palavras, ampliar o perímetro protegido sem fechar a porta que os atacantes mais utilizam.

O direcionamento correto exige que a segurança deixe de ser tratada como linha de custo e passe a ser encarada como decisão de negócio, com governança, responsabilidade clara e conexão direta com os riscos reais da operação.

Portanto, acredito que as empresas brasileiras deveriam pensar melhor na sua distribuição, e não focar apenas em como aumentar o orçamento.

Os ataques cibernéticos dos últimos anos só reforçam que organizações resilientes, diferentemente das vulneráveis, conseguem agir com clareza operacional, visibilidade real do ambiente e processos bem definidos para quando o incidente acontecer.

Portanto, o valor investido fica em segundo plano quando percebemos que uma segurança eficaz está muito mais relacionada a onde e com qual propósito os recursos são de fato aplicados.

*Paulo Lima é CEO da Skynova, empresa destaque em serviços de e-mail corporativo, cloud computing e segurança digital.

 

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