Deimos: impacto de asteroide pode ter remodelado grande parte da superfície da lua de Marte (Nasa)
Redatora
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 18h38.
Uma grande depressão na superfície de Deimos, uma das luas de Marte, pode ter sido causada por um antigo impacto de asteroide. Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Berna indica que a mesma colisão também pode explicar a camada de poeira e fragmentos que cobre grande parte da pequena lua.
Para chegar aos resultados, a pesquisa combinou simulações computacionais com observações feitas pela sonda Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA), durante sua passagem por Deimos em março de 2025. O trabalho foi publicado na revista Nature Astronomy.
Deimos é a menor e mais distante das duas luas de Marte. Sua aparência também chama atenção quando comparada à de Fobos, que apresenta uma superfície marcada por muito mais crateras.
Os pesquisadores utilizaram o código de simulação Bern Smoothed Particle Hydrodynamics (SPH) para testar diferentes cenários de colisão. Para isso, foram avaliados objetos com tamanhos, velocidades e ângulos distintos. A equipe também variou as hipóteses sobre a estrutura interna de Deimos.
Entre os cenários simulados, um deles reproduziu características compatíveis com as observadas na lua. Nesse modelo, um asteroide de aproximadamente 320 metros de diâmetro atingiu Deimos em um ângulo de cerca de 45 graus. A colisão teria sido forte o suficiente para formar a grande depressão próxima ao polo sul, mas não para destruir a lua.
Grande parte da superfície de Deimos é coberta por regolito, uma camada formada por poeira e fragmentos de rocha. As simulações indicaram que o impacto poderia ter lançado grandes quantidades desse material para o espaço. Parte dos detritos teria retornado à superfície e se espalhado por diferentes áreas da lua.
Em alguns pontos, a camada de material depositado poderia ultrapassar 200 metros de profundidade. Esse processo ajudaria a explicar por que muitas estruturas mais antigas ficaram escondidas sob uma camada extensa de regolito.
O cenário também oferece uma explicação única para as duas características analisadas no estudo: a depressão no sul e a superfície coberta por detritos.
A Hera teve uma oportunidade de observar Deimos de perto em março de 2025, quando utilizou a gravidade de Marte para alterar sua trajetória em direção ao asteroide Dimorphos. As observações ajudaram os pesquisadores a comparar a aparência real da lua com os resultados das simulações.
A análise indicou que as camadas superficiais de Deimos parecem ser especialmente frágeis, enquanto seu interior aparenta ter uma estrutura bastante porosa. Segundo os pesquisadores, essa porosidade pode ter absorvido parte da energia liberada durante o impacto, contribuindo para que a lua não fosse destruída pela colisão.
A estrutura observada também levantou uma questão sobre a própria origem da lua de Marte. Deimos apresenta características físicas semelhantes às de asteroides formados por fragmentos de rocha, mas isso não significa que seja necessariamente um asteroide capturado por Marte.
Os pesquisadores consideram que a lua também poderia ter se formado a partir de material lançado por impactos ocorridos no próprio planeta. Assim, as novas observações ajudam a restringir as possibilidades sobre como Deimos se formou e como sua superfície foi modificada ao longo do tempo.
O cenário proposto ainda não é a única explicação possível para a aparência de Deimos. No entanto, as simulações fazem previsões que podem ser comparadas com futuras observações.
Uma das próximas oportunidades será a missão MMX, da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA). A missão foi planejada para estudar as duas luas de Marte e trazer amostras de Fobos para a Terra.
Os pesquisadores esperam que as observações da MMX ajudem a verificar características como a espessura e a distribuição do regolito e as propriedades do material que compõe Deimos.