Ciência

Por que comer menos pode alterar mecanismo ligado ao envelhecimento? Pesquisa tem a resposta

Pesquisa de Yale aponta uma possível estratégia para controlar a inflamação associada à idade sem reduzir drasticamente a alimentação

Envelhecimento: estudo identificou que proteína C3 pode estar ligada à inflamação crônica associada à idade (Freepik)

Envelhecimento: estudo identificou que proteína C3 pode estar ligada à inflamação crônica associada à idade (Freepik)

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 18h31.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreSaúde
Saiba mais

O corpo pode responder à redução moderada de calorias de uma forma que vai além da perda de peso. Pesquisadores da Escola de Medicina de Yale identificaram uma proteína do sistema imunológico que diminuiu após dois anos de restrição calórica.

A descoberta envolve o componente 3 do complemento, conhecido como C3, uma proteína ligada ao sistema de defesa do organismo. No estudo, publicado na Nature Aging, os pesquisadores também investigaram o papel dessa substância em processos relacionados ao envelhecimento.

O que a restrição calórica mudou no organismo

A equipe analisou amostras de plasma de 42 participantes do estudo CALERIE, um ensaio clínico que acompanhou pessoas durante dois anos.

Os participantes reduziram a ingestão de calorias entre 11% e 14% durante o período. Nesse intervalo, os pesquisadores mediram mais de 7 mil proteínas presentes no plasma. Entre todas elas, o C3 chamou a atenção. Seus níveis diminuíram de forma significativa após a redução da ingestão calórica.

A proteína faz parte do sistema complemento, uma rede de moléculas envolvida na defesa contra agentes infecciosos. Estudos anteriores já haviam relacionado a ativação desse sistema à inflamação crônica.

De onde vem a proteína C3

Os pesquisadores também investigaram quais tecidos poderiam estar relacionados à mudança observada no sangue. Os resultados apontaram o tecido adiposo branco como uma das principais áreas afetadas pela restrição calórica. Em camundongos, os níveis de C3 aumentaram com a idade.

A equipe utilizou ainda sequenciamento de RNA de célula única para identificar quais estruturas do tecido adiposo produziam a proteína. A análise apontou os macrófagos associados ao envelhecimento, um tipo de glóbulo branco presente no tecido adiposo, como uma das principais fontes do C3.

A mudança não parece depender apenas da perda de peso

Os participantes perderam, em média, cerca de 8 quilos ao longo dos dois anos. Os pesquisadores então compararam a redução do peso com as alterações nas proteínas do complemento.

Não foi encontrada uma relação entre a quantidade de peso perdida e a queda dessas proteínas. Para a equipe, esse resultado sugere que a restrição calórica pode produzir alterações no tecido adiposo que não dependem diretamente da perda de peso.

A pesquisa também avançou para experimentos com camundongos. Os cientistas utilizaram um medicamento para inibir a ativação do C3 nos animais. O bloqueio reduziu a inflamação relacionada à idade observada nos experimentos.

Esse resultado levou os pesquisadores a investigar se a proteína poderia representar um ponto de intervenção relacionado aos efeitos da restrição calórica. Ainda assim, os experimentos não demonstram que bloquear o C3 prolonga a vida em humanos.

Por que a proteína chamou atenção no envelhecimento

O envelhecimento envolve mudanças em diferentes sistemas do organismo, e a inflamação crônica é uma das características associadas a esse processo. O C3 faz parte de um mecanismo que evoluiu para ajudar o corpo a combater infecções.

No estudo, os pesquisadores investigaram se a atividade dessa proteína também poderia participar das alterações observadas com o avanço da idade. Os resultados indicaram uma relação entre a restrição calórica, o tecido adiposo, os macrófagos e a atividade do complemento.

A equipe agora investiga se medicamentos que já inibem componentes do sistema complemento poderiam ser estudados em relação ao envelhecimento. O objetivo, segundo os pesquisadores, não seria eliminar completamente essa defesa do organismo, mas controlar sua atividade excessiva.

Acompanhe tudo sobre:AlimentaçãoPesquisas científicas

Mais de Ciência

Mounjaro e Ozempic são associados a envelhecimento mais lento em estudos; entenda o motivo

Câncer do papa Leão XIV: chance de cura pode chegar a 90% em estágio inicial

Estrutura 'misteriosa' aparece no Google Earth e leva arqueólogos a investigar os Andes

Adolescente procura médico por inchaço e descobre dentes nascendo na região do olho