(SavATree)
Redatora
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 08h42.
Um carvalho-vivo (Quercus virginiana) de aproximadamente 300 anos, considerado uma das últimas testemunhas vivas da Guerra de Independência dos Estados Unidos, está passando por um amplo trabalho de conservação na Carolina do Sul. A árvore, que sobreviveu à Batalha de Eutaw Springs, em 1781, e resistiu à queda de um raio há cerca de 50 anos, agora enfrenta um novo desafio: os cabos de aço instalados para sustentá-la no passado começaram a comprometer sua saúde.
A operação de preservação foi divulgada pela empresa de arboricultura SavATree, responsável pelo trabalho de recuperação, e pelo American Battlefield Trust, organização que preserva o campo de batalha de Eutaw Springs, onde a árvore está localizada. As ações foram detalhadas pela revista Garden & Gun e por emissoras locais da Carolina do Sul.
Com cerca de 13,7 metros de altura, o carvalho está localizado na área onde ocorreu a Batalha de Eutaw Springs, um dos últimos grandes confrontos entre colonos americanos e tropas britânicas antes da independência dos Estados Unidos.
Historiadores afirmam que a árvore já existia durante o conflito e estava voltada para o centro do campo de batalha. Ao seu redor, teriam sido instalados os acampamentos das forças envolvidas na guerra.
Hoje, a área é preservada pelo American Battlefield Trust e pelo South Carolina Battleground Trust, organizações dedicadas à conservação de locais históricos ligados à independência norte-americana.
Depois de ser atingido por um raio, há aproximadamente cinco décadas, o carvalho recebeu um sistema de sustentação formado por correntes e cabos de aço para evitar o rompimento dos galhos mais pesados. Com o passar dos anos, porém, a árvore continuou crescendo e as estruturas metálicas ficaram parcialmente incorporadas à casca.
Em entrevista à revista Garden & Gun, Aron Landsaw, especialista da SavATree, explicou que esse sistema passou a causar o efeito contrário ao desejado. "As correntes basicamente interrompem a circulação, impedindo que a árvore absorva água e nutrientes do solo."
Para preservar o exemplar histórico, uma equipe especializada escalou a copa da árvore para remover as correntes e cabos que estavam comprimindo o tronco e os galhos. Durante a operação, também foram retirados galhos mortos e instalado um novo sistema de sustentação, desenvolvido para oferecer estabilidade durante tempestades sem prejudicar o crescimento natural da árvore.
Porém, o trabalho não se limitou à estrutura da árvore. Os especialistas realizaram a descompactação do solo, técnica que melhora a circulação de ar e água e facilita o desenvolvimento das raízes. Solos muito compactados dificultam a infiltração da água e reduzem o espaço disponível para o crescimento radicular, situação comum em áreas com intenso tráfego de pessoas e veículos.
Além disso, foram adicionados fertilizantes ricos em nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) para estimular a recuperação e fortalecer a árvore.
A mobilização para preservar o carvalho vai além da conservação ambiental. Por ter sobrevivido durante cerca de três séculos e permanecido no mesmo local desde a Guerra de Independência, a árvore é considerada uma das raras testemunhas vivas daquele período da história dos Estados Unidos.
Segundo Catherine Noyes, do American Battlefield Trust, preservar esse exemplar ajuda a aproximar os visitantes do passado. "Quando um visitante vem a Eutaw Springs, queremos que ele tenha essa conexão tangível e viva com a batalha. Ao ficar debaixo daquela árvore e vivenciar essa história, sentimos que isso realmente ajuda as pessoas a formar uma conexão poderosa com o que aconteceu aqui", afirmou em entrevista à emissora WIS News 10.